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A desconcentração bancária do sistema financeiro se intensificará entre três e cinco anos. A expectativa é que a desburocratização em relação às fintechs e a entrada de novos players promova migrações cada vez mais fortes de clientes para iniciativas tecnológicas.

O ranking das melhores instituições financeiras do mundo, divulgada recentemente pela Forbes, por exemplo, aponta que as três primeiras das cinco melhores companhias no Brasil são fintechs. Em primeiro lugar está o Nubank, em segundo, o Banco Inter e em terceiro, o Neon. Em seguida, vem a Caixa Econômica Federal e, por último, o Itaú Unibanco.

Segundo o vice-presidente e diretor de relações com investidores do Banco Inter, Alexandre Riccio de Oliveira, a ascensão dessas iniciativas se dá por três propostas principais: a gratuidade – ou preços menores – dos serviços e produtos oferecidos –, a digitalização dos sistemas e do atendimento e, por fim, um portfolio completo de soluções.

“O movimento digital trouxe a praticidade que os clientes raramente tinham nas instituições tradicionais, bem como custos mais baixos tanto para as fintechs como para os usuários dessas iniciativas. Já o portfolio completo permite maior competitividade no sistema, onde os consumidores deixam de enxergar nossas soluções como alternativas e começam a usá-las como a principal opção”, afirma.

Em questão de custo, só no último trimestre de 2018, os quatro maiores bancos do País (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) somaram R$ 29,501 bilhões em receitas com tarifas e prestação de serviços. O volume é 6,2% maior do que o observado em igual período de 2017 (R$ 27,776 bilhões).

Oliveira reitera ainda que quase metade dos clientes do Banco Inter utilizam a companhia como banco principal para gerenciamento de suas contas e serviços financeiros. “Terminamos o ano com 1,452 milhão de clientes e uma média de 155 mil contas abertas mensalmente”, acrescenta.

Já de acordo com o CEO da Jeitto, Adriano Duarte, o crescimento das fintechs se dá por uma “ineficiência do sistema financeiro nacional, que não consegue atender a todos os públicos de forma justa”, uma vez que o mercado bancário ainda é muito concentrado.

“Apesar da tentativa de digitalização, os bancos ainda são muito tradicionais. O Brasil é muito burocrático e grande parte dos serviços e produtos oferecidos pelas grandes instituições ainda têm muitas restrições”, afirma o CEO.

“O movimento de desburocratização, porém, já começa a ser visto”, comenta o co-fundador da Zoop, Rodrigo Miranda. “As regulamentações estão mais abertas e a tendência é que as empresas comecem a participar mais desses processos”, conclui o executivo.

Regulamentação

Em termos de regulação, os executivos ponderam que mesmo com a maior abertura do BC para a aceitação de novas tecnologias , “ainda existem muitos obstáculos a serem superados” no setor.

“Existem desafios, principalmente do custo e da facilidade de capital. Mas é importante lembrar que se continuarmos avançando nesse ritmo, teremos resultados muitos positivos de competição e descentralização bancária entre três e cinco anos”, afirma o CEO da Koin, Gabriel Franco.

“Ainda estamos em uma curva de aprendizado e de adequação. Mas o Brasil é um celeiro de oportunidades e a tendência é que isso se intensifique cada vez mais”, complementa Duarte, da Jeitto.