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Os investimentos atrelados à taxa básica de juros (Selic) e ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) são os mais indicados para os aplicadores mais conservadores que receberão alguma quantia na restituição do Imposto de Renda (IR).

Já para aqueles aplicadores que estão dispostos a aceitar um risco maior, os fundos de investimentos de ações e multimercados acabam sendo uma boa opção.

De acordo com especialistas, o posicionamento do dinheiro recebido com a liberação do pagamento pela Receita Federal – que será feita por meio de lotes mensais até o final deste ano – depende não apenas do perfil do contribuinte como investidor (conservador, moderado ou arrojado), mas também do orçamento familiar e da possibilidade de existência de contas em atraso.

“Para quem tem dívidas ou contas no vermelho, os recursos recebidos com essa restituição devem ir primordialmente para o pagamento desses débitos, por ordem de juros”, comenta o professor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Heitor Campani. Nesse sentido, a prioridade devem ser as dívidas que contam com os juros mais caros tais como o rotativo ou o parcelado do cartão de crédito e até mesmo cheque especial, por exemplo.

“Já para quem não tem dívida, depende muito do perfil do investidor, bem como do objetivo que a pessoa tem para o dinheiro recebido e do tempo disponível para deixar o recurso alocado”, complementa o especialista do Coppead.

O perfil do investidor está relacionado à quantidade de risco suportada. Para os mais conservadores – aqueles que não aceitam oscilações diárias ou a possibilidade de perda de recursos – os especialistas destacam títulos públicos do tesouro direto, atrelados principalmente à Selic e ao IPCA.

“Já outro cenário é a pessoa já ter uma carteira de investimentos. No ranking de reações ao mercado econômico, a primeira recomendação para renda variável é a bolsa local. Nessa linha, a preferência sempre acaba sendo por fundos de investimento, que já têm um nível de diversificação maior e acaba fugindo do pico de ações cuja rentabilidade nem sempre compensa”, avalia o especialista em investimentos do Itaú Unibanco, Martin Iglesias.

O cenário de Selic no menor nível histórico do País (6,50% ao ano) tem, por sua vez, ajudado a impulsionar a busca de investidores por maior rentabilidade e, consequentemente, a aceitarem patamares de risco um pouco maiores.

Os últimos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontam que só no primeiro trimestre, a indústria de fundos encerrou o primeiro trimestre deste ano com um saldo positivo de R$ 47,8 bilhões, o que correspondeu a um aumento de 3,3% em relação ao final de 2018.

“Os fundos que têm alguma exposição em bolsa de valores tendem a beneficiar bem no cenário em que estamos. Esse movimento de valorização do Ibovespa abre uma boa oportunidade. Outra classe de ativos que também é interessante são os multimercados”, afirma o especialista do Itaú.

Ainda segundo a Anbima, a classe multimercados registrou entrada líquida de R$ 12,4 bilhões, a maior captação dentre os fundos. Em seguida, vieram as carteiras de ações, que registraram a entrada de R$ 12 bilhões no período.

“Se a procura é por diversificação, também é possível avaliar a aplicação em ativos pré-fixados, pós-fixados e até mesmo dar uma olhada na renda variável internacional”, completa Iglesias.

“Não existe Bettina”

Os especialistas reiteram, porém, a importância de o investidor se informar sobre os ativos nos quais pretende aplicar, não somente em relação ao risco eminente, mas também quanto a existência ou não de liquidez diária e, principalmente, sobre prazos.

“É fundamental que as pessoas estejam cientes e tranquilas caso haja carência [tempo mínimo exigido para realização do resgate com rendimentos], por exemplo, o que, nesse caso, elimina a aplicação de recursos com objetivo de reserva de emergência. E é sempre importante lembrar, também, que não existe Bettina no mundo real”, avalia o professor do Coppead, referindo-se à jovem milionária que teve uma grande repercussão nas redes sociais a partir de uma propaganda da Empiricus.

A Fundação Procon de São Paulo, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania, inclusive, informou no início desse mês que multaria a companhia por veicular propaganda enganosa, no caso da Bettina, que afirmava ter conseguido juntar R$ 1,042 milhão em patrimônio acumulado após aplicar nem ações. A punição seria de R$ 58.240 ou R$ 40.768 à vista.

“É preciso avaliar quando e se esse dinheiro será necessário, bem como as taxas envolvidas para a aplicação de os riscos atrelados aos investimentos”, conclui Campani.