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BRASÍLIA (Reuters) - Auditores da Receita Federal reuniram-se na tarde desta quarta-feira em frente à sede do ministério da Economia, em Brasília, para protestar contra o que veem como episódios de ingerência política no órgão, em uma manifestação de “luto” frente aos últimos acontecimentos envolvendo o Fisco.

“Essa manifestação é para demonstrarmos nossa indignação, nossa insatisfação com uma série de problemas que a Receita tem enfrentado", afirmou Kleber Cabral, presidente do Sindifisco Nacional, que representa os auditores.

Ele destacou decisão recente do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de determinar o afastamento de dois auditores fiscais e a suspensão de 133 investigações da Receita. Entre os investigados, estavam o ministro do STF Gilmar Mendes e a advogada Roberta Rangel, esposa de Dias Toffoli, presidente do STF.

Para o Sindifisco, a decisão criou uma "lista vip de contribuintes inalcançáveis pelo Fisco".

Cabral também aponta declarações recentes do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acerca da Receita. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na última semana, Maia apontou "excessos" na atuação do órgão e afirmou que a "Receita ficou com muitos poderes e muita distorção de poder".

"A gente se pergunta quando ou quando houve esse ato, que lei foi essa que conferiu muito poder à Receita?", indagou o sindicalista.

Após concentração em frente ao ministério, o grupo de algumas dezenas de auditores seguiu para o Senado Federal onde se reuniriam com senadores apoiadores da causa.

Em carta aberta ao Senado, os auditores citaram, ainda, como interferência indevida na Receita pedido feito este mês pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, para que o órgão informasse a identidade de auditores responsáveis por investigações de agentes públicos e seus familiares.

Na segunda-feira, a Receita anunciou a troca do número dois da hierarquia do órgão. João Paulo Fachada da Silva foi substituído pelo auditor-fiscal José de Assis Ferraz na subsecretaria-geral do órgão.

Nesta quarta-feira, questionado sobre críticas a interferências do governo na Receita e na Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "eu fui (eleito) presidente para interferir mesmo".. Ele acrescentou que a Receita faz um bom trabalho, mas tem problemas que são resolvidos com a troca de pessoas.

 

 

 

 

 

 

(Por Gabriel Ponte)