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Em um cenário externo marcado pela aversão a risco, os mercados emergentes acabaram penalizados. Por aqui, o dólar fechou o dia com alta de 0,58%, cotado aos R$ 3,9066. Na semana passada, marcada por instabilidade, a divisa avançou 0,29% sobre o real.

Operadores acreditam que, com a queda nos preços do barril de petróleo e fluxo sazonal negativo no mês de dezembro, o câmbio deve permanecer em torno desse patamar até o fim do ano, pressionado por um dólar mais forte no exterior.

A semana foi ditada pelo ritmo externo, que teve noticiário forte nesta semana.

Inseguranças em relação ao sucesso das negociações comerciais entre China e EUA e a novela do acordo do Brexit, além de dados que, ora reforçam, ora rebatem a especulação de que haverá uma recessão global, fizeram os mercados oscilarem. “Foi uma semana de altos e baixos, um dia no céu, outro no inferno”, diz o operador da Spinelli, José Carlos Amado.

Internamente, o ritmo é de cautela com a aproximação da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, cuja família tem sido alvo de polêmica por conta de movimentações financeiras atípicas na conta de um ex-assessor do filho do presidente Flávio Bolsonaro. A insegurança em relação ao equilíbrio fiscal do país e à condução das reformas também impede que os ativos domésticos avancem.

“O fluxo emergente está fraco. Aqui, juntou ainda o fato de que dezembro, sazonalmente, é um mês de fluxo menor, com o envio de remessas de empresas ao exterior”, aponta o economista-chefe da Guide Investimentos, Victor Candido.

Mercado acionário

O Ibovespa, por sua vez, buscou operar descolado do mercado internacional ao longo do pregão de ontem, mas não teve fôlego para sustentar os preços dos papéis em alta.

O Índice Bovespa oscilou próximo da estabilidade na maior parte do tempo e acabou fechando em baixa de 0,44%, aos 87 449,50 pontos.

Novos dados apontando para a fraqueza da economia chinesa trouxeram de volta o temor de desaceleração global, o que afetou os preços das commodities e reduziu o apetite dos investidores por risco.

Por outro lado, analistas apontam um viés positivo representado por investidores que sustentam a aposta nos avanços na política e economia a partir de 2019.

Para Pedro Galdi, analista da Mirae, o “rali de Natal” que muitos esperavam para dezembro depende do último grande evento do ano, que é a reunião de política monetária do Federal Reserve “A elevação dos juros na reunião de dezembro já é esperada, mas se Jerome Powell [presidente do Fed] mantiver o tom suave, abre-se espaço para o rali”.

O viés de baixa foi determinado pela queda das ações da Petrobras e dos bancos. As ações da petroleira fecharam com perdas de 0,75% (ON) e de 1,33% (PN). No segmento financeiro, destaque para B3 ON (-1,26%) e Bradesco ON (-1,23%). Gol PN disparou 7,50% e foi a maior alta.

Os juros futuros fecharam a sessão regular da última sexta-feira em queda, com algumas das principais taxas nas mínimas do dia. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,590% (mínima), de 6,621% e o DI para janeiro de 2021 caiu de 7,582% para 7,50% (mínima). A taxa para janeiro de 2023 encerrou a 8,81%, de 8,912%. O DI para janeiro de 2025 foi de 9,45%, de 9,522%. /Estadão Conteúdo