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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) fez um novo corte de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic). A redução mais forte vem em linha com a inflação controlada e com a atividade econômica ainda moderada no País.

A nova queda da Selic foi decidida ontem, por unanimidade. Segundo a economista da Coface para a América Latina Patrícia Krause, a redução vem em linha com as projeções de inflação controlada e de reduções também no cenário externo.

Ontem, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) também decidiu por reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual (p.p.), para um intervalo entre 1,75% e 2%, acenando para os riscos globais em curso e um enfraquecimento no investimento empresarial e nas exportações.

“Há uma certa cautela em se tratando do cenário internacional, principalmente ante uma possível recessão. De qualquer forma, tanto a inflação quanto o exterior permitem essa redução pelo BC”, afirmou a economista.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apoiaram a redução da Selic pelo Copom, considerando-a indispensável para a retomada do emprego e da atividade econômica.

As entidades reiteraram a necessidade de continuidade na agenda de reformas do governo e consideraram haver espaço para novos cortes nas próximas reuniões.

“As reformas são importantes para que haja uma maior previsibilidade no longo prazo e uma melhora sustentável da economia. A expectativa é de que o BC ainda traga novas reduções até o final deste ano”, completou Krause, da Coface.

Em nota oficial, o Copom enfatizou que a perseverança nesses ajustes é “essencial” para queda dos juros estruturais e para a recuperação da economia. Ainda segundo o Comitê, “a consolidação do cenário benigno para inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”.

Investimentos

Do lado dos investimentos, os especialistas escutados pelo DCI ponderam que a taxa básica no recorde mínimo também servirá como estímulo ainda maior para a renda variável.

“A maior migração dos investidores de renda fixa para a variável já tem acontecido no último ano, atraídos principalmente pela rentabilidade do Ibovespa, mas também pelo fato de que renda fixa trará retornos ainda menores”, avaliou o chefe de análise da Toro Investimentos, Rafael Panonko.

Ele destaca, no entanto, uma tendência para uma “quebra de paradigma” a respeito da percepção do investidor. “É uma melhora na educação financeira e de investimento do brasileiro. Nada que envolva cultura acontece no curto prazo, mas a perspectiva é de mudança”, complementa.

Para os especialistas tanto o mercado acionário doméstico – calcado principalmente nos papéis de varejo e consumo – como também os fundos imobiliários, de ações e multimercados, deverão ter maior destaque em rentabilidade nos próximos meses.

Já no quesito internacional, para além do corte das taxas básicas dos Estados Unidos pelo Fed a perspectiva é de que o cenário de desaceleração na economia mundial, a guerra comercial sino-americana e os casos mais recentes relacionados ao petróleo ainda possam influenciar investimentos mais voláteis pontualmente nas próximas semanas.

Crédito

Em reação ao novo recuo da Selic pelo Copom alguns dos maiores bancos do País já anunciaram novos cortes em suas respectivas taxas de juros.

O Itaú, por exemplo, reduzirá em 0,5 p.p. os juros para empréstimo pessoal e capital de giro, a partir da próxima sexta-feira. Já o Bradesco afirmou, sem detalhes específicos, que reduzirá as taxas de suas principais linhas de crédito a partir da próxima segunda-feira.