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Os bancos digitais devem agregar cada vez mais produtos e serviços do cotidiano em suas plataformas, com parcerias e descontos. O movimento vem para atrair mais clientes ante a maior concorrência e se tornar um “aplicativo de primeira tela” dos seus usuários.

O último levantamento do FintechLab, de junho, aponta que 12 iniciativas estavam cadastradas na plataforma como bancos digitais. O número corresponde a um aumento de 50% em relação ao observado no estudo anterior (que continha 8 registros).

De acordo com o vice-presidente da Stefanini, Ailtom Nascimento, as maiores discussões em torno de open banking e a própria adaptação das estruturas bancárias para a tecnologia deve trazer um volume ainda maior de bancos digitais ao País.

“As grandes instituições financeiras já estão com a arquitetura preparada e começam a integrar soluções no conceito de open banking. Isso proverá ainda mais serviços às fintechs e deve trazer um número ainda maior de iniciativas para o setor. A tendência é que isso acelere dentro das grandes instituições”, afirma o executivo.

“Mas é importante ressaltar que o tradicional não pode e não vai acabar da noite para o dia. O movimento que vemos é de coexistência”, complementa Nascimento.

No cenário de maior concorrência do sistema financeiro, por outro lado, novas parcerias entre os bancos digitais e outros produtos e serviços começam a despontar.

Segundo o diretor do Next, Jeferson Honorato, como o principal público alvo é a geração “hiperconectada” de jovens entre 18 e 35 anos, a interação com os bancos digitais fica cada vez mais importante.

“Por isso começamos a ver maiores diversidade e proposta de valor, justamente para endereçar essas plataformas digitais. O objetivo é fazer com que as interações naturais do dia a dia, como fazer pesquisas, pedir comida ou transporte coexista com as instituições financeiras”, avalia.

O Next, plataforma do Bradesco, atualmente conta com 300 parceiros de diversos setores e oferece descontos e ofertas para seus clientes. O mesmo é visto no Banco Inter, que apesar de apresentar mais soluções voltadas à facilidade de pagamento, também passa a agregar novas parcerias.

Para o diretor de conta digital e meios de pagamento do Banco Inter, Ray Chalub, a expectativa é de que essas iniciativas trabalhem o entendimento do comportamento de seus usuários com mais afinco e adquiram um posicionamento cada vez mais “aderente às necessidades dos clientes”.

“Há uma maior demanda por essa experiência de eficiência e facilidade e precisamos estar cientes dessas necessidades. Seja para a criação de um produto, inovação de atendimento, para conseguir prover serviços financeiros sem custo, ou até para atuar em verticais não financeiras, como saúde, mobilidade, entretenimento ou alimentação”, comenta o especialista.

Já em termos de segurança, Honorato reforça a necessidade de atenção constante. “Segurança é o nosso maior investimento e demonstrar essa preocupação faz toda a diferença em um crescimento responsável e sustentável”, diz.

Da mesma forma, um levantamento realizado em março aponta que três das cinco melhores instituições financeiras do Brasil são bancos digitais. Em primeiro lugar apareceu o Nubank, seguido pelo Banco Inter e depois pelo Neon.

“Essa maior competição no setor já acontece e tende a se intensificar ainda mais com o passar do tempo”, diz Chalub. “Tem sido mais fácil e barato a digitalização de bancos e a tendência é que haja mais produtos e serviços agregados a essas instituições financeiras, com custos cada vez menores.

Privacidade da informação

Ao passo em que esses avanços da digitalização trazem mais facilidade e agilidade aos processos, as discussões em torno da privacidade, por outro lado, ganham cada vez mais força.

Segundo Nascimento, um dos pontos principais de cautela dessas iniciativas é o andamento da nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

“Ainda temos muita coisa para integrar com os serviços e criar um mega ecossistema digital, mas a LGPD é a nossa preocupação maior. Se não puder conhecer a identidade da pessoa em um momento de maior conexão entre serviços, fica difícil. É algo que ainda precisamos amadurecer, mas é necessário tomar cuidado porque é uma lei muito rigorosa e que chega em pouco tempo”, explica o executivo.

A LGPD já foi aprovada em maio último e tem previsão de aplicação total a partir de agosto de 2020. O vice-presidente da Stefanini afirma, ainda, que as empresas de tecnologia tem entrado em contato com os reguladores em busca de uma maior flexibilização.

“O setor financeiro tem um dos reguladores mais rigorosos de todos os segmentos e que conseguem identificar e cobrar as falhas detectadas. É preciso que a regulamentação seja mais perto desse modus operandi e que tenha uma maior flexibilidade ao invés de colocar uma multa e tirar a empresa do ar por seis meses porque isso acaba o negócio. E não se pode matar a inovação”, conclui Nascimento, da Stefanini.