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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começa a se reunir amanhã (15) para decidir a nova taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,50% ao ano. A decisão sairá na quarta-feira (16).

Aproximadamente 75% do mercado financeiro espera que os juros sejam cortados em mais 0,25 ponto, para 6,25%, de acordo com levantamento da estrategista da Mongeral Aegon Investimentos, Patrícia Pereira, na última sexta-feira, com base em dados do mercado de juros.

A economista, que faz parte dessa maioria, avalia que, na ata de março, o Copom sinalizou que uma redução adicional de 0,25 ponto seria importante para evitar um distanciamento muito grande das projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em relação às metas de inflação. “Naquele momento, o BC estava vendo que as expectativas para o IPCA caiam, aumentando a distância em relação à meta de 4,5%”, lembra Pereira. “O Copom indicou que só não cortaria juros se as previsões voltassem a se ancorar às metas. Mas o que vimos de lá para cá foi a projeção de IPCA cair de 3,8% para 3,5%”, diz a economista.

Pereira reforça que o IPCA, mais uma vez, surpreendeu ao ter alta de 0,22% em abril, ante uma projeção de 0,33% do BC e de 0,28% da Mongeral Aegon. A economista pontua que a expectativa da autoridade monetária para a inflação de março de avanço de 0,20%, porém o indicador variou 0,09%. Em dois meses seguidos (março e abril), portanto, destaca Pereira, houve uma surpresa inflacionária de 0,22 pontos.

Por outro lado, o professor de economia do Ibmec-SP, André Diz, aposta em uma manutenção dos juros em 6,50%. “Avalio que o BC não deve reduzir a Selic nessa semana, em um sinal de cautela, diante das turbulências internacionais”, afirma André Diz, referindo-se à elevação do preço do petróleo no mercado internacional e à valorização do dólar, não somente em relação ao real, como ante às demais moedas estrangeiras. O professor do Ibmec avalia que há a expectativa de mais dois aumentos de taxa de juros nos Estados Unidos, o que deve fortalecer mais a moeda norte-americana.

“Se, por um lado, a inflação está muito abaixo da meta, por outro, a sequência de valorizações do dólar pode provocar pressões [sobre os preços nacionais]”, considera. “Seria prudente manter a Selic em 6,5% e esperar o que vai ocorrer no cenário externo nos próximos 45 dias”, analisa.

Mais riscos

O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Raffy Vartanian, por sua vez, tem uma posição intermediária, mas avalia que a conjuntura internacional elevou as chances de manutenção da taxa de juros. De acordo com ele, a crise cambial argentina colabora para este cenário. Na avaliação de Vartanian, a piora da confiança dos estrangeiros na Argentina pode se espalhar para outros países, incluindo Brasil, um dos principais parceiros.

Pereira, da Mongeral, ressalta que as turbulências externas serão consideradas nas reuniões a partir de junho. Ela lembra de declarações recentes do presidente do BC, Ilan Goldfajn, apontando que a decisão de maio se basearia no nível de atividade, que ainda se recupera muito lentamente, e nas expectativas de inflação.