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BRASÍLIA - O Banco Central apontou nesta segunda-feira que a inadimplência é o principal componente do spread bancário e que, para baixar o spread, há necessidade de melhorar o processo de recuperação de garantias no sistema financeiro.

"O montante que a instituição perde no caso de uma dívida não paga depende muito do valor e da qualidade da garantia vinculada ao empréstimo. Esses fatores afetam o risco da operação e, portanto, a taxa de juros cobrada pela instituição", disse o BC em box do Relatório de Economia Bancária.

Numa análise das taxas de juros do crédito pessoal não consignado entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018, o BC apontou que as taxas de juros das operações sem garantia foram, em geral, o dobro das taxas das operações com garantia em todos os trimestres analisados.

No período, as taxas caíram de 41% para 33% ao ano no caso de operações com garantia, e de 82% para 68% ao ano nas operações sem garantia.

A mensagem vem em linha com o discurso recente do presidente do autarquia monetária, Roberto Campos Neto, em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso na semana passada.

Ele pontuou que, apesar de a inadimplência geral no Brasil, de 2,9%, "não ser tão mais alta" que a média de países emergentes, há "problema sério" de recuperação de crédito por aqui.

"O Brasil é absolutamente recordista no tema de recuperação de crédito. Nós no Brasil recuperamos 13 centavos de cada real. E leva na média quatro anos", afirmou Campos Neto. "A inadimplência se torna uma perda de principal porque a gente não recupera nada de volta".

O presidente do BC afirmou que, numa média de países por ele analisados, a recuperação média do crédito foi de 67 por cento, num prazo também mais ágil que o brasileiro, de 1,3 ano.

"Se você faz a conta contrária, esse spread na média dos países que é 4, 5 (pontos percentuais), ele iria para 20 (ao serem replicadas as condições de recuperação de crédito no Brasil)", afirmou.

Segundo dados mais recentes do BC, o spread bancário geral, que mede a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada a seus clientes, alcançou 19,2 pontos no Brasil em março.

Olhando apenas para o segmento de recursos livres, em que as taxas de juros são livremente definidas pelas instituições financeiras, o spread chegou a 31,6 pontos em março.

Nem o presidente do BC nem o box do relatório falaram sobre as medidas que poderiam ser adotadas pelo governo para endereçar a questão.

O secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse recentemente que o governo irá anunciar medidas para concorrência do mercado bancário até junho, buscando redução do spread.