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A liquidez reduzida foi a principal marca dos negócios com ações na sessão de ontem, ante o feriado nos EUA (Memorial Day). O Ibovespa, no entanto, teve fôlego para oscilar em alta durante todo o pregão e encerrar aos 94.864,25 pontos, avanço de 1,32%.

O avanço foi sustentado por uma percepção construtiva das manifestações em favor do governo e também contou com o reforço das ações de empresas de commodities, que acompanharam as altas dos preços das matérias-primas no exterior. Ontem, os negócios somaram R$ 8,249 bilhões, pouco mais da metade da média de maio, de R$ 14,8 bilhões.

As manifestações em favor do governo de Jair Bolsonaro e da reforma da Previdência, entre outras pautas, foram lidas sob perspectiva positiva no mercado, embora não se saiba exatamente quais serão os próximos capítulos na conturbada relação entre Executivo e Legislativo.

Havia temores de que as manifestações fossem um fracasso – que fortalecesse o Congresso em demasia – ou um sucesso absoluto, que fortalecesse o governo excessivamente. Mas houve um meio-termo que agradou o mercado.

Entre as altas mais significativas ficaram os papéis de commodities, que acompanharam a valorização das matérias-primas no exterior. Vale ON fechou com ganho de 3,89%, refletindo principalmente a alta de mais de 3% do preço do minério de ferro no mercado chinês. A commodity subiu em meio a preocupações com a baixa dos estoques nos portos chineses e temores de que a oferta brasileira de minério seja reduzida ainda mais, com o risco de rompimento da barragem de Barão de Cocais.

As ações da Petrobras tiveram ganhos de 1,45% (ON) e 0,57% (PN) em dia de alta dos preços do petróleo. Também contribuiu a perspectiva positiva em torno da possível venda da distribuidora Liquigás, dentro do plano de desinvestimento da estatal.

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, voltou a subir, após acumular queda de 2,07% na semana passada, seguindo a valorização da moeda norte-americana no mercado financeiro mundial, perante divisas fortes e de países emergentes, e influenciado também por fatores técnicos. O real ficou com o pior desempenho e foi a moeda que mais perdeu valor ante o dólar ontem, dia marcado por baixo volume de negócios tanto aqui quanto no exterior por causa do feriado nos EUA e Londres. No final do pregão, o dólar à vista subiu 0,50%, para R$ 4,0354.

Por conta da baixa liquidez, profissionais de câmbio destacam que agentes que tinham compromissos em dólar e precisavam comprar a moeda ontem, acabaram pressionando as cotações para cima. Por isso, o real acabou sendo a moeda que mais caiu ante a divisa americana. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar perante uma cesta de divisas fortes, como o euro e a libra, subiu 0,14%. No mercado futuro, o volume foi de US$ 8 bilhões e no mercado à vista, o giro somou US$ 625 milhões.

A última semana de maio começou com os juros futuros retomando a trajetória de baixa após a pausa vista na última sexta-feira, quando encerraram estáveis após recuarem por quatro sessões. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 6,750%, de 6,791% e a do DI para janeiro de 2023 foi de 7,952% para 7,91%. A taxa para janeiro de 2025 encerrou a 8,52%, de 8,572%. /Estadão Conteúdo