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O principal índice da bolsa brasileira encerrou ontem com leve alta, após quatro dias no vermelho, com papéis de varejistas em destaque, em meio ao otimismo com a sinalização do governo de liberar saques de recursos do FGTS.

O Ibovespa teve variação positiva de 0,08%, a 103.855,53 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 32,79 bilhões, em dia marcado pelo vencimento dos contratos de opções sobre o Ibovespa e do índice futuro.

O presidente Jair Bolsonaro confirmou, na Argentina, que o governo anunciará esta semana a liberação de recursos de contas do FGTS para trabalhadores. Mais cedo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse esperar que sejam liberados um total de R$ 42 bilhões com a medida.

Ações de empresas de consumo estiveram entre as líderes de ganhos. Em relatório, o Credit Suisse afirmou que a liberação dos recursos deve ajudar companhias de shopping centers, mas pode afetar os planos de crescimentos de construtoras com foco na baixa renda. Em outra frente, o Bank of America Merrill Lynch previu aceleração no crescimento dos lucros das empresas do Ibovespa nos resultados do segundo trimestre, em meio a uma menor base de comparação, preços mais elevados de commodities e menores custos de financiamento.

O gestor Werner Roger, sócio-fundador da Trígono Capital, destacou que o mercado está “de lado” desde a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados. “Ficou meio sem notícias... O mercado agora está aguardando a temporada de resultados que vai começar”. Entre as empresas com ações na composição do Ibovespa, Cielo abre a safra de balanços do segundo trimestre na próxima semana.

No mercado externo, Wall Street encerrou com os principais índices em baixa, com preocupações sobre o embate comercial entre Estados Unidos e China e apreensões sobre o equilíbrio entre política monetária e crescimento.

Moeda estrangeira

O dólar, por sua vez, teve leve queda ante o real, respondendo mais uma vez ao movimento da moeda no exterior, onde predominaram expectativas de que o Federal Reserve reduzirá os juros no fim deste mês, o que tende a melhorar a liquidez e atrair capital para mercados como o Brasil.

O dólar à vista caiu 0,25%, a R$ 3,7617 na venda. O índice, que mede o valor do dólar frente a uma cesta de divisas, cedia 0,18% no fim da tarde. Com menor fluxo de notícias locais – conforme a retomada dos trâmites da reforma da Previdência ficou para agosto –, operadores têm reagido mais intensamente ao noticiário externo, que em linhas gerais ainda ampara cenários de dólar mais fraco.

Dessa forma, uma medida do grau de sintonia entre os mercados de câmbio doméstico e externo tem subido e já se encontra nos maiores níveis em 16 meses. A correlação de 10 pregões saltou para 0,64, maior valor desde 9 de março de 2018. Quanto mais próximo de 1, mais alinhados positivamente estão os preços de dois ativos – ou seja, se o dólar sobe lá fora, sobe no mercado local.

“A recente comunicação do Fed apontando a baixa inflação e riscos comerciais e ao crescimento sugere que o BC dos EUA pode surpreender com um corte agressivo de juros”, disseram estrategistas do banco Morgan Stanley. A recente comunicação do Fed apontando a baixa inflação e riscos comerciais. /Reuters