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O Índice Bovespa iniciou abril dando continuidade ao movimento de recuperação iniciado na semana passada. Na terceira alta consecutiva, o índice terminou o pregão de ontem com ganho de 0,67%, aos 96.054,45 pontos. Os negócios somaram R$ 13,4 bilhões.

A alta foi amparada principalmente pelas ações de mineração e siderurgia, que acompanharam o avanço dos preços do minério de ferro depois que a China anunciou dados positivos da indústria em março. Ao final do pregão, Vale ON avançou 3,28%. Entre as siderúrgicas, o destaque foi para Gerdau PN (+6,21%), CSN ON (+4,12%) e Usiminas PNA (+1,79%).

Em contrapartida, os papéis da Petrobras não tiveram fôlego para acompanhar a alta do petróleo, em um ambiente de desconforto com questões específicas da empresa. Segundo operadores, pesaram informações de que a empresa não está segura de quando e em quais condições a discussão da cessão onerosa com o governo será concluída.

Além disso, a possibilidade de participação da Petrobras em um leilão de óleo e gás em Israel foi vista como um fator que se contrapõe ao plano de desinvestimento da companhia. Petrobras ON e PN terminaram o dia com perdas de 0,90% e 0,21%, nessa ordem.

“As notícias sobre Petrobras deixaram o mercado cauteloso, o que favoreceu o descolamento das ações dos preços do petróleo. As ações perderam ímpeto, mas podem ter sido apenas alvo de realização de lucros”, avaliou Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor.

Para Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Ideias de Investimento, a terceira alta seguida do Ibovespa mostra que o mercado segue corrigindo exageros da última semana, quando os atritos políticos levaram a fortes perdas na bolsa.

“É certo que teremos reforma da Previdência, mesmo que com alguma desidratação. Mas não teremos um processo linear, sem sobressaltos, sem volatilidade. O investidor precisa saber que essa é uma característica do Brasil”, afirma.

Mercado cambial

A ausência de ruídos sobre a reforma da Previdência após a pacificação no relacionamento entre o governo Jair Bolsonaro e o Congresso abriram espaço para que o real se beneficiasse do ambiente externo de apetite ao risco na sessão de ontem.

Em meio a uma perda de força generalizada da moeda norte-americana ante divisas emergentes, o dólar encerrou a primeira sessão de abril em queda de 1,06%, cotado a R$ 3,8746, após ter acumulado alta de 4,33% em março.

“A verdade é que havia uma 'gordura' no câmbio e os investidores aproveitaram o clima favorável no exterior para se desfazer de parte de posições defensivas”, disse Thiago Silêncio, operador de câmbio da CM Capital Markets, ressaltando, contudo, que qualquer sinal de dificuldade no andamento da reforma da Previdência no Congresso ou de que haverá desidratação acentuada do texto-base poderá estressar o mercado.

A curva de juros doméstica, por sua vez, começou a semana em movimento de “desinclinação” com os contratos de longo prazo em queda firme. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 6,495%, de 6,521% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2021 caiu de 7,142% para 7,05% (mínima). A taxa para janeiro de 2023 recuou de 8,242% para 8,13% e o DI para janeiro de 2025, de 8,752% para 8,65%. /Estadão Conteúdo