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A sinalização do governo ontem de que pretende levar adiante um pacote de privatizações com pelo menos 17 empresas deu fôlego ao Índice Bovespa, que subiu 2,00% no fechamento, alcançando 101.201,90 pontos, muito próximo da máxima do dia.

O cenário internacional também contribuiu positivamente, com as bolsas operando em alta na Europa e nos Estados Unidos. Os negócios na bolsa brasileira somaram R$ 18,3 bilhões.

Como não poderia deixar de ser, as estrelas do pregão foram os papéis do “kit privatização”, à espera da confirmação da lista de empresas a serem privatizadas, prevista para o final da tarde, conforme sinalizou o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Eletrobras ON e PNB foram as maiores altas do Ibovespa, com ganhos de 12,39% e 11,80%, nesta ordem. Banco do Brasil ON subiu 5,72%. Os papéis da Petrobras, que já vinham oscilando em alta, aceleraram os ganhos no meio da tarde de ontem, após uma notícia não oficial de que a equipe econômica estuda privatizar a companhia até o final do governo. Com isso, Petrobras ON subiu 5,32% e Petrobras PN ganhou 5,95%.

“A notícia foi bem recebida porque sinaliza melhora do caixa do governo, expectativa de profissionalização da gestão das empresas e atração de investimentos para o Brasil. O setor mais promissor é o de energia elétrica, no qual o investidor estrangeiro tem grande interesse”, disse Gabriel Machado, analista da Necton Corretora. “Mas como essas privatizações não vão acontecer no curto prazo, o mercado tende a continuar à espera de questões como a conclusão da reforma da Previdência e o início da tributária, além das reformas microeconômicas, como forma de estimular a economia”, ressalva.

Para Vitor Miziara, analista da Criteria Investimentos, o bom desempenho do mercado brasileiro esteve relacionado a uma série de sinais que vêm sendo emitidos pelo governo no que diz respeito ao avanço da agenda liberal e ao apoio parlamentar para reformas. Contudo, diz que o investidor estrangeiro segue resistente.

Dólar comercial

O dólar teve o segundo dia de queda ontem, mas seguiu acima de R$ 4,00 pela quarta sessão consecutiva. A moeda americana fechou em baixa de 0,52%, a R$ 4,0301 no mercado à vista. As moedas de emergentes, com exceção da Argentina, se recuperaram das perdas de terça e o real acompanhou o movimento, em pregão com maior apetite à risco na economia mundial.

O dia foi marcado também pela início da nova estratégia de atuação do Banco Central no câmbio, com venda de dólares das reservas, mas que acabou não tendo demanda pelos US$ 550 milhões ofertados. Um novo leilão ocorre nesta quinta-feira e também cresce a expectativa pelo simpósio de Jackson Hole, que deve reunir os principais banqueiros centrais do mundo.

Profissionais de câmbio argumentam que a estratégia do BC de ofertar dólares das reservas em conjunto com swap reverso (compra de dólar no mercado futuro) é correta, mas o mercado ainda vai demorar algum tempo para se ajustar.

Para o diretor de tesouraria de um banco, a falta de demanda pelo lote completo é uma questão técnica, pelo fato de ter sido o primeiro dia da nova estratégia e faz muito tempo que o BC não tem um leilão assim, mais de dez anos. O mercado vai se ajustar aos poucos. /Estadão Conteúdo