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O bom desempenho das bolsas na Europa e nos Estados Unidos foi determinante para que o Ibovespa operasse em alta durante o pregão da última sexta-feira. O índice subiu 0,76%, aos 99.805,78 pontos, mas encerrou a semana com perdas acumuladas em 4,03%.

O principal índice de ações da B3 até ensaiou recuperar a marca dos 100 mil pontos, perdida na quinta-feira, mas não teve fôlego para sustentar o patamar por mais que alguns minutos. Em Nova York, todos os principais índices subiram além de 1%.

Nos últimos cinco pregões, as oscilações foram comandadas essencialmente pelo noticiário internacional, com escassa influência dos cenários político e corporativo no Brasil. Guerra comercial entre EUA e China, protestos em Hong Kong, dados econômicos fracos na Europa e crise na Argentina geraram forte aversão ao risco nos mercados globais, com forte penalização das bolsas em geral.

De acordo com Thiago Tavares, analista da Toro Investimentos, o desempenho modesto do Ibovespa refletiu principalmente a cautela e a expectativa do investidor antes de uma semana de eventos importantes, como a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira, e o simpósio econômico de Jackson Hole, na quinta-feira.

“Há uma expectativa com o Jackson Hole, sobretudo com a fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, uma vez que as recentes declarações dele sobre a política monetária dos Estados Unidos desanimaram os mercados”, diz.

As ações de materiais básicos estiveram entre as que registraram perdas mais significativas na semana. Petrobras PN caiu 1,32% e contabilizou perda de 8,41% na semana.

A expectativa de que o governo promova o aquecimento da economia, porém, continua a dar algum fôlego extra a ações do setor de consumo. O Iconsumo, que congrega 52 ações do setor, fechou em alta de 1,50% no dia, na máxima.

Mercado cambial

O dólar registrou a quinta semana consecutiva de valorização no Brasil, influenciado pelo aumento do temor de piora da economia mundial e, nos últimos dias, pela crise na Argentina. A moeda norte-americana acumulou alta de 1,59% aqui e fechou a sexta-feira em R$ 4,0031, com alta de 0,33%.

Mesmo com o estresse dos últimos dias, especialistas avaliam que a volatilidade e o nervosismo devem prosseguir, mantendo o câmbio pressionado aqui e em outros emergentes. No cenário externo, não se espera um desfecho rápido para o impasse comercial entre a China e os EUA.

“Permanecemos cautelosos com moedas de emergentes”, afirmam os estrategistas do Bank of America Merrill Lynch. “Os ativos de risco tiveram um choque de realidade esta semana”, completam, destacando que aumentou a percepção de que a política monetária sozinha não conseguirá reverter a piora da economia mundial.

Nessa semana, na quarta-feira, o BC começa sua nova estratégia de atuação no câmbio, com três instrumentos, venda de dólares das reservas, swap cambial (venda de dólar no mercado futuro) e swap cambial reverso (compra de dólar no mercado futuro).

Os juros futuros reforçaram o movimento de queda na última sexta-feira. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 5,469% para 5,40% e a para janeiro de 2023, de 6,46% para 6,37%. Já o DI para janeiro de 2025 fechou em 6,88%, de 6,941%. /Estadão Conteúdo