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A aprovação do crédito extraordinário ao governo e o bom desempenho das ações da Vale e da Petrobras levaram o Índice Bovespa a uma alta de 1,53%, aos 98.960 pontos, no maior patamar desde março.

O noticiário positivo se sobrepôs ao episódio envolvendo o vazamento de conversas do ministro Sérgio Moro (Justiça), mas analistas ponderam que o episódio deve seguir como fator de cautela nos próximos dias.

A alta foi praticamente generalizada entre as blue chips, mas foram as ações da Vale as que mais se destacaram, graças ao noticiário vindo da China. O gigante asiático anunciou medidas de incentivo à economia que fizeram disparar os preços do minério naquele país. Alinhada à alta generalizada das mineradoras pelo mundo, Vale ON subiu 6,39% e foi a ação mais negociada, movimentando R$ 974,6 milhões.

As ações da Petrobras, por sua vez, subiram 2,04% (ON) e 1,91% (PN), depois que a companhia divulgou Fato Relevante informando sobre acordo feito com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a execução de desinvestimentos na área de refino. Petrobras PN teve o segundo maior volume da bolsa, com R$ 774,1 milhões.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, é possível que o Ibovespa volte a flertar com o patamar dos 100 mil pontos nesta semana, uma vez que faltam apenas 1.040 pontos (1,05%) para essa marca psicológica. No entanto, ele chama a atenção para as influências do exterior, que segue repleto de incertezas que podem influenciar os papéis.

Mercado cambial

A trinca formada pelos novos estímulos econômicos na China, entendimento entre Estados Unidos e México e otimismo com a aprovação das reformas no Congresso levou o dólar a perder força e encerrar a sessão de ontem no menor nível em dois meses.

Afora um pequeno flerte com a estabilidade na primeira hora de negócios (+0,01%), a moeda norte americana trabalhou em terreno negativo durante todo o dia, acentuando as perdas ao longo da tarde com acordo partidário para aprovação de crédito suplementar na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e o anúncio de acordo da Petrobras.

Com máxima de R$ 3,8843 e mínima de R$ 3,8431, o dólar encerrou o pregão em queda de 0,88%, a R$ 3,8496 – o menor valor de fechamento desde 10 de abril (R$ 3,8234). Segundo operadores, caso não haja um revés do governo no Congresso ou uma onda de aversão ao risco com tensões comerciais sino-americanas, o dólar tende a se manter girando entre R$ 3,85 e R$ 3,88.

Para a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, os fatores externos foram preponderantes para o fortalecimento do real. “A tendência global ditou o rumo dos negócios. A questão interna trouxe bom humor e contribuiu para essa queda do dólar”, diz Fernanda.

A curva de juros teve, ontem, nova rodada de alívio de prêmios, que foi mais expressiva nos contratos de longo prazo e, por isso, houve redução da inclinação. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que terminou pela primeira vez abaixo dos 8%, em 7,95%, de 8,141% no ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2025 caiu de 7,741% para 7,59%, e o DI para janeiro de 2023 passou de 7,141% para 7,06%. O DI para janeiro de 2021 encerrou em 6,17%, de 6,22% no ajuste anterior. /Estadão Conteúdo