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O Bradesco aponta uma possível retomada em suas áreas de investimentos – mercado de capitais, fundos e previdência privada – após um primeiro trimestre com volumes menores nestes segmentos.

“Se adquirência está sofrendo com uma concorrência agressiva, o mundo de fundos de investimentos é o segundo maior impactado. É um mercado que está sendo muito disputado, com concorrentes competentes. Agora adotamos uma estratégia muito clara para a Bradesco Corretora, Bradesco Investimentos e Ágora Corretora, e estamos apostando no segmento de alta renda para fundos de investimentos e de previdência (PGBL, VGBL)”, respondeu ao DCI, o presidente do Banco Bradesco, Octavio Lazari Júnior, em teleconferência de imprensa sobre os resultados da instituição no primeiro trimestre de 2019, realizada ontem.

Sobre essa estratégia, o presidente explicou que independente de como o cliente de alta renda acessou o banco (via agência, banco digital ou plataforma), esse investidor será atendido por um consultor. “Nós já percebemos uma mudança de patamar em segmentos como private banking com a plataforma aberta, e em fundos de investimentos e de previdência do Bradesco”, disse.

De acordo com o balanço detalhado ontem, a receita com administração de fundos caiu 2,8% para R$ 966 milhões no primeiro trimestre de 2019, ante R$ 994 milhões em igual período do ano passado.

No item de Previdência e Vida, o volume financeiro também recuou 1% para R$ 8,685 bilhões, quando comparado com o montante de R$ 8,774 bilhões na mesma comparação. Em termos de market share com dados da Susep e Fenaprevi, a participação do Bradesco diminuiu de 26,1% de março de 2018 para 25,1% em fevereiro de 2019 no Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), e de 27,8% em março de 2018 para 27% em fevereiro último no Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL).

Sobre o desempenho na área de mercado de capitais, o executivo destacou que o ambiente político e econômico em torno do tema da reforma da Previdência adiou operações de debêntures (títulos de dívida corporativa) e de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs). “Vemos oportunidades no mercado de capitais [daqui para frente], ainda deve aquecer”, apontou o presidente.

Retorno acima de 20%

Puxado por melhores resultados com a carteira de crédito tanto para empresas (+12,7%) como para pessoa física (+12,6%), o lucro líquido do Bradesco cresceu 22,3% para R$ 6,2 bilhões no primeiro trimestre, ante igual período. Com isso, o retorno sobre o patrimônio (ROAE) ficou em 20,5%, alta de 1,9 ponto percentual sobre março de 2018.