Publicado em

O Bradesco BBI projeta uma economia entre R$ 700 bilhões e R$ 800 bilhões em 10 anos com a aprovação da reforma da Previdência Social. Apesar “dos ruídos e pedras no caminho”, a expectativa da instituição é de que o projeto seja votado no Senado até outubro.

De acordo o diretor executivo de investment banking e corporate do Bradesco BBI, Bruno Boetger, apesar da semana passada ter demonstrado “certo ruído”, esse é um processo já esperado e a instituição continua otimista quanto a aprovação da reforma previdenciária.

“Essas pedras no caminho serão removidas e nós chegaremos até lá. O nosso cenário base é de aprovação da [reforma da] Previdência com economia de R$ 700 bilhões ou R$ 800 bilhões na Câmara [dos Deputados] até julho e já entre setembro e outubro no Senado”, afirmou o executivo do banco em coletiva com jornalistas ontem, no Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI.

O montante projetado chega a ser até 34,7% inferior do que o proposto no texto inicial da reforma (de R$ 1,072 trilhão para 10 anos) e, conforme ressaltado recentemente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também impossibilitaria o sistema de capitalização como idealizado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Para o deputado federal pelo PSDB, Eduardo Cury, no entanto, apesar do otimismo em relação à passagem da reforma, existem alguns aspectos políticos que podem “atrapalhar” a rapidez da aprovação.

“A reforma virá a mais parruda possível, mas as discussões sobre as aposentadorias rurais e de policiais civis e militares, bem como a retirada do BPC [Benefício de Prestação Continuada, voltada para idosos e pessoas com deficiência], podem atrapalhar”, comenta.

Ele reitera, também, que a retirada da Previdência da Constituição, transferindo a regulamentação para lei complementar também pode “apertar o calo do sistema”.

“A previsão é de que a votação do projeto pela Comissão de Constituição e Justiça aconteça no próximo dia 17 e de instalação da Comissão Especial logo na sequência. Essa discussão deve levar umas 10 sessões, aproximadamente dois meses, e só então será possível ter modificações no texto da reforma. Nosso papel é não deixar desidratar demais”, completa Cury.

Segundo o especialista em reforma da Previdência, Paulo Tafner, existem dois aspectos relacionados à saída do BPC da proposta que “precisam ser tratados com cuidado”.

“De um lado, os candidatos a esses benefícios têm baixíssima oportunidade de formalização de trabalho e, de outro, o efeito fiscal dessa retirada é nulo. É uma pauta de políticas sociais e não oferece grande economia. São pontos importantes a serem abordados”, acrescenta o especialista.

“Claramente existem nuances a serem discutidas pelo Congresso, mas esperamos uma reforma que mude efetivamente a curva de gasto no Brasil e que melhore o resultado primário”, completa o vice-presidente executivo do Bradesco, Marcelo Noronha.

Recuperação cíclica

Nos impactos da reforma para a retomada de crescimento econômico do País, porém, os especialistas avaliam que a nova Previdência não será suficiente. “A reforma é insuficiente, mas extremamente necessária. Nossas projeções para um cenário pessimista são de que a dívida pública atinja 100% do PIB [Produto Interno Bruto] até 2030”, diz o diretor executivo do Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, Felipe Salto.

Ele destaca, ainda, a necessidade de um ajuste fiscal. “Apenas um terço da retomada vem de recuperação cíclica. O gasto com pessoal é algo que precisa ser visto além da [reforma] da Previdência. É uma política salarial e de serviço público”, diz o diretor do IFI.