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As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos para a importação de camarões provenientes do Brasil são maiores que as aplicadas a outros países produtores. A lembrança é do conselheiro Francisco Mauro Brasil de Holanda, chefe da Divisão de Defesa Comercial e Salva-Guardas."Os outros países receberam margens mais baixas que a nossa, o que poderia causar uma transferência do comércio para países com margens menores", afirmou Francisco Mauro, citando entre os concorrentes brasileiros Tailândia, Equador, Índia, China e Vietnã. Hoje, esses e outros países, assim como o Brasil, suprem 90% do mercado americano.Logo, a imposição dessas sobretaxas, visa proteger um mercado capaz de produzir apenas 10% do total consumido pelos americanos.Os empresários brasileiros, que já recorreram judicialmente da medida nos Estados Unidos, aguardam agora por uma decisão do governo para saber se o aumento será referendado ou não.Os criadores nacionais, representados pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) estão tentando provar que não praticam preços desleais (antidumping) conforme estão sendo acusados.Uma equipe de técnicos do governo americano vem ao Brasil para conhecer in loco as empresas responsáveis pela produção nacional.Reposição de perdasCaso vitoriosos, os criadores brasileiros poderão ser ressarcidos pelas perdas sofridas durante o período em que a sobretaxa vigorou. Além disso, recuperam um mercado que, em 2003, rendeu algo em torno de US$ 90 milhões para esses criadores, provenientes, em sua maioria, de famílias nordestinas de baixa renda.No total, são 67 mil pessoas empregadas diretamente pelo setor, segundo os dados levantados pela ABCC.A decisão sai até o final do ano. Se perderem, os brasileiros podem recorrer na OMC (Organização Mundial de Comércio), o que, no entanto, será um processo bem mais lento.Como a ação americana visa atingir empresas e não o País, as sobretaxas impostas variam de 0% a 67,8%, de acordo com cada exportador.A maior parte das empresas brasileiras, no entanto, está arcando com uma sobretaxa de 37% sobre seu produto."Cálculos errados"O embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, disse ontem que o Departamento de Comércio Americano usou "cálculos errados" ao definir a adoção de tarifas antidumping contra as exportações de camarão brasileiras."Eles ignoraram informações importantes dadas pelas empresas interessadas e usaram parâmetros errados, para efeitos de comparação no caso de uma das empresas, que foi penalizada com a absurda tarifa de 67%", disse Abdenur.Três empresas foram investigadas pelo Departamento de Comércio. Duas foram penalizadas, com tarifas de 8,4% e de 67%.Decisão final deve sair no final do ano; Estados Unidos produzem apenas 10% do que consomem