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O presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) Joseph Couri aponta que a utilização do Cadastro Positivo deverá avançar ao longo do próximo ano e proporcionar taxas de juros menores aos bons pagadores.

Na avaliação do representante do setor industrial, até este ano de 2018 havia muitos entraves na legislação para que os grandes bancos compartilhassem dados de crédito de seus clientes para outras instituições financeiras. “O cadastro positivo será muito bom para o consumidor, e para a sociedade como um todo. A micro e a pequena indústria também será beneficiada pois terá um melhor avaliação sobre a capacidade de crédito de seus clientes”, argumentou Couri, em entrevista.

Ele lembrou que os cinco principais bancos brasileiros concentram mais de 80% do crédito no País. “Mas a partir de 2020, o cadastro positivo deve provocar um aumento da concorrência, e consecutivamente, juros menores para os bons pagadores”, prevê.

De acordo com os dados do Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo do mês de agosto, encomendado pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria (Simpi) ao Instituto Datafolha, apenas 12% estão bem informadas sobre o cadastro.

O representante ressaltou que as micros e pequenas indústrias (MPI’s) passam por diversas dificuldades na gestão dos negócios. “O cadastro positivo, que pode auxiliar, por exemplo, na obtenção crédito, ainda é pouco conhecido e vantajoso para os bancos”, destaca o presidente do Simpi, Joseph Couri. “Embora a pesquisa mostre que apenas 12% das MPI’s estão bem informadas, 73% acreditam que os bancos devem ser os principais beneficiados. Os indicadores da pesquisa mostram que as MPI’s enfrentam diversas dificuldades, como o acesso a crédito. Para financiar as atividades, ter acesso a capital de giro, por exemplo, 18% das MPI’s estão utilizando o cheque especial, mesmo com a alta taxa de juros desta modalidade”, destacou o presidente.

Acesso ao financiamento

Um dos grandes problemas das MPI’s está relacionado ao acesso a crédito. De acordo com a pesquisa, dos 13% de micro e pequenas indústrias que fizeram consulta para obter empréstimo ou financiamento, 35% destas não conseguiram crédito, sendo que a taxa de juros foi apontada como o principal motivo de dificuldade para 41% das MPI’s. O cadastro positivo pode reduzir esta dificuldade, pois propõe que a obtenção de crédito seja feita de forma mais fácil e com taxas mais baratas, já que os dados de bom pagador estarão disponíveis para consulta.

O Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, encomendado pelo Simpi é reconhecido como sinalizador de tendência. É importante salientar que 42% das MPIs de todo Brasil estão em São Paulo. A coleta de dados ocorreu entre os dias 13 e 29 de agosto de 2019.