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A compra da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo pelo grupo Caoa deve garantir a preservação de pelo menos 850 empregos, estimou o prefeito Orlando Morando (PSDB), depois de ter participado de evento que anunciou o entendimento entre as duas empresas. Essa estimativa inclui funcionários da área produtivos - todos os que ainda permanecem empregados pela Ford serão mantidos - e parte da área administrativa.

Depois que a Ford anunciou no início do ano que fecharia a fábrica ao longo de 2019, um programa de demissão voluntária foi aberto, reduzindo o número total de trabalhadores de 2.700 para 1.200. Entre os que permanecem, metade é da área produtiva e a outra metade é da área administrativa.

Parte da área administrativa será mantida pela própria Ford, que seguirá tendo um escritório no Brasil, uma vez que continuará produzindo no País, com uma fábrica de automóveis em Camaçari, Bahia, e outra de motores em Taubaté, no interior de São Paulo.

O evento desta terça, realizado no Palácio dos Bandeirantes e conduzido pelo governador João Doria (PSDB), confirmou o entendimento entre as duas empresas e anunciou que, agora, será iniciado um processo de "due diligence" antes do acerto final. Ainda não foi definido o valor final da transação.

Segundo o presidente da Caoa, Mauro Correia, a intenção do grupo é manter a produção de caminhões da Ford. Além disso, pretende produzir automóveis na planta, de uma marca ainda a ser divulgada. A Caoa já trabalha dessa maneira com a produção de carros da sul-coreana Hyundai, em Anápolis, Goiás, e da chinesa Chery em Jacareí, no interior de São Paulo.

Participaram da coletiva de imprensa o dono do grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o presidente da Ford para a América do Sul, Lyle Watters, o vice-presidente da Ford para América do Sul, Rogelio Golfarb, o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, o secretário da Fazenda do Estado, Henrique Meirelles, a secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado, Patrícia Ellen, e o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM).

De acordo com o dono do grupo Caoa, não há motivo para ampliar a fábrica, que tem 1,2 milhão de metros quadrados. Ele disse que uma área de 600 mil metros quadrados é mais do que suficiente. "Nosso objetivo é tornar a fábrica viável, lucrativa e produtiva, que crie empregos e riqueza para o País", disse.

O empresário contou que pretende recorrer ao programa do governo do Estado de incentivo fiscal ao setor automotivo. O problema exige que empresas do setor apresentem planos de investir pelo R$ 1 bilhão e gerem no mínimo 400 empregos, para que possam ter descontos de até 25% no ICMS.

Carlos Alberto de Oliveira Andrade disse também que não vai utilizar recursos do BNDES para financiar a operação. A compra da fábrica, garantiu, ocorrerá por meio de capital próprio. Afirmou ainda que a aquisição da planta não representa o fechamento da unidade de Anápolis. "Estamos nos planejando para lançar mais três carros produzidos em Anápolis", disse.