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O volume de captação de recursos via emissão de títulos no mercado de capitais no primeiro trimestre de 2019 diminuiu 9,85% para R$ 66,8 bilhões, ante R$ 74,1 bilhões em igual período do ano passado.

Na avaliação do vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), José Eduardo Laloni, após um volume muito forte no quarto trimestre do ano passado, o mercado teve uma desaceleração nos meses iniciais de 2019.

“Entre outubro, novembro e dezembro nós tivemos um ambiente muito favorável para emissões. Essa redução [no primeiro trimestre] deriva da atividade econômica e a frustração de expectativas não ajudou”, afirmou Laloni.

Questionado sobre o cenário para os próximos trimestres, o vice-presidente da Anbima apontou que há uma movimentação nos bancos para novas emissões. “As assets [gestoras] estão procurando ativos e também os emissores [empresas] estão se movimentando, mas isso ainda não aparece nos números”, respondeu o executivo.

Ele acredita, principalmente, que a atividade no mercado de capitais deverá se intensificar a partir da aprovação da reforma da Previdência Social pelo Congresso Nacional. “A confiança do empresariado aguarda respostas concretas”, disse.

Laloni completou que há muito interesse dos investidores por IPOs [sigla em inglês para aberturas iniciais de capital na bolsa de valores] de subsidiárias de estatais e pela privatização de empresas públicas federais, estaduais e municipais. “Algumas propostas começam a sair do papel. A Caixa [Econômica Federal] está falando de operações. Tivemos leilões de aeroportos e ferrovias que foram um sucesso. E o apetite dos investidores está bastante grande para privatizações, uma bandeira dos novos governos [federal, estaduais e municipais], com uma visão mais pró-mercado”, diz.

De fato, em entrevista recente sobre o balanço da Caixa, o banco público informou a intenção de abrir o capital das subsidiárias nas áreas de cartões, seguros, fundos de investimentos (asset) e lotéricas. No mercado também é corrente o rumor de que a Petrobras possa vender uma fatia de 30% do capital da BR Distribuidora.

Em sua apresentação divulgada ontem, a Anbima só relata IPOs de empresas privadas com pedidos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM): Grupo SBF, Vamos Locação e Tivit; e a operação da Eneva de aumento de capital (follow-on) em andamento.

Destaques de março

Em seu boletim, a Anbima destacou que o volume emitido de R$ 1,9 bilhão de debêntures em março foi o mais baixo desde agosto de 2018, o que ratifica as condições desfavoráveis para a colocação de títulos de prazo mais longo junto ao mercado. No ano, o total emitido neste trimestre foi de R$ 15 bilhões contra R$ 27,6 bilhões do mesmo período do ano passado, o que corresponde à uma queda de 45,9%.

Nas operações no mercado externo, ocorreram quatro negócios – três em renda fixa (bônus) e uma no mercado de renda variável. No ano, o montante é de US$ 6,6 bilhões, ainda abaixo do que foi auferido no mesmo trimestre do ano passado (US$ 9,8 bilhões).