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O Ibovespa iniciou o pregão de ontem em alta e quase chegou a superar a máxima histórica em meio ao otimismo em relação ao texto da reforma da Previdência. O índice, porém, acabou fechando em queda de 1,14%, aos 96.544,81 pontos.

Apesar da reforma ter sido considerada bastante robusta, com impacto total de R$ 1,164 trilhão em dez anos, a bolsa passou a operar com volatilidade ainda pela manhã, sob o impacto da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que alertou que os riscos para a economia global subiram. O giro financeiro somou um total de R$ 17,5 bilhões. Na máxima intraday, chegou aos 98.543,68 pontos (+0,90%).

“O texto da Previdência veio dentro do esperado pelo mercado, que agora opta pela cautela, colocando na balança o quanto deve ser aprovado enquanto o governo ainda não conseguiu formar uma base no Congresso”, diz Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos.

“Uma vez apresentada a reforma da Previdência, devemos ver agora uma acomodação de preços na bolsa, que deve andar mais de lado”, avalia Raphael Figueredo, sócio e analista da Eleven Financial. “O foco agora está na capacidade do governo de comunicar o conteúdo da proposta, mas ela ainda deve sofrer desidratação em alguns dos pontos”, acrescenta o especialista.

Apesar de as bolsas em Nova York terem voltado ao campo positivo depois de terem renovado mínimas em reação à divulgação da ata do Fed, o Ibovespa firmou-se no campo negativo. Segundo analistas, pesou no mercado local a indicação dos dirigentes do Fed de que os riscos à economia mundial aumentaram, citando a desaceleração na China e na Europa, o Brexit, o aperto das condições financeiras e a rapidez na perda de força dos estímulos fiscais nos EUA.

Mercado cambial

O dólar, por sua vez, chegou a cair abaixo de R$ 3,70 após a apresentação da proposta da Previdência pelo governo, mas em seguida os investidores preferiram adotar um tom de cautela e a moeda passou a subir. A divulgação da ata do Fed, já perto do fechamento do mercado à vista, ajudou a reforçar a prudência dos investidores e a moeda americana bateu máximas. O dólar terminou ontem cotado em R$ 3,7319, uma alta de 0,42%.

As medidas que mudam as aposentadorias no Brasil foram consideradas “amplas e abrangentes”, mas a percepção nas mesas de câmbio é de que o texto pode ser desidratado.

“A reação foi tímida porque essa economia fiscal provavelmente será reduzida no texto final”, diz o economista-chefe para a América Latina da consultoria norte-americana Continuum Economics, Pedro Tuesta. Para ele, o quanto o texto será desidratado durante a tramitação vai determinar o tipo de reação do mercado nos próximos meses. O economista vê o dólar entre R$ 3,70 a R$ 3,75 nos próximos dias

Um movimento de realização de lucros deu o tom aos juros. Num dia de liquidez forte, o avanço foi um mais pronunciado nos vencimentos longos, que haviam recuado com mais força na sessão anterior.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,425% ante 6,380% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 ficou em 7,09%, de 6,991%. O DI para janeiro de 2023 fechou em 8,20%, de 8,062% e o DI para janeiro de 2025 encerrou em 8,72%, de 8,561%. /Estadão Conteúdo