Publicado em

O dólar teve um novo dia de queda na sessão de ontem, amparado pelo enfraquecimento da moeda norte-americana no mercado internacional, tanto ante divisas fortes quanto emergentes. Ao final do pregão, o dólar caiu 1,41%, cotado aos R$ 3,8420.

A entrada do Banco Central no câmbio, despejando US$ 1 bilhão no mercado para dar liquidez, também influenciou. Nos emergentes, o real foi uma das moedas que mais valorizaram frente ao dólar, enquanto cresceu no mercado financeiro internacional a preocupação com a desaceleração da economia mundial.

Um termômetro do forte enfraquecimento da moeda dos Estados Unidos foi o índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes e que registrou queda de 0,88%, a 96,183 pontos, atingindo mínimas desde meados de novembro. Em meio ao aumento da aversão ao risco lá fora, o Credit Default Swap (CDS) do país, uma medida do risco Brasil, subiu para 206 pontos-base.

O estrategista do Swissquote Bank, Arnaud Masset, ressalta que o mau humor no mercado internacional reflete renovadas preocupações dos investidores com o crescimento da economia mundial após o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, alertar que vê uma redução do ritmo de crescimento da atividade global e da própria economia americana.

Para Masset, o mercado não gostou do resultado final da reunião do Fed, na medida em que os investidores esperavam uma sinalização de que a alta de juros pudesse ser interrompida, diante do risco de recessão nos Estados Unidos.

Mercado acionário

O Ibovespa ensaiou uma recuperação das perdas, mas esbarrou no mau humor das bolsas de Nova York e na forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

O temor de desaceleração da economia global e a frustração com as sinalizações dadas na véspera pelo Federal Reserve continuaram a ecoar nos mercados, o que intensificou a aversão a ativos de risco. Com isso, o índice, que mais cedo chegou a subir mais de 1%, fechou ontem em baixa de 0,47%, aos 84.269,29 pontos.

As diversas incertezas no exterior acertaram em cheio as ações de empresas ligadas a commodities. O petróleo definiu tendência de baixa em meio às preocupações com a política monetária dos EUA e o temor de que a produção esteja acima do esperado.

Os futuros de petróleo em Londres e Nova York ampliaram as perdas no final da tarde, com quedas em torno de 5%. Assim, levaram Petrobras ON e PN a fecharem com perdas de 2,42% e 3,42%, nesta ordem. A alta dos preços do minério de ferro não evitou a instabilidade nas ações da Vale, que caíram 0,40%.

Com o resultado, o Ibovespa contabiliza queda de 2,49% no acumulado da semana e de 4,73% no mês. Porém, a alta nominal de 11,61% em 2018 coloca a bolsa brasileira entre as que mais subiram no ano.

Os juros futuros fecharam em queda firme e nas mínimas nos vencimentos de médio e longo prazos e praticamente estáveis na ponta curta.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou na mínima de 6,580%, de 6,601% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2021 fechou em 7,39%, ante 7,462%. A taxa para janeiro de 2023 encerrou a 8,63% (mínima), de 8,742% e a do DI para janeiro de 2025 também fechou na mínima, a 9,25%, de 9,372%. /Estadão Conteúdo