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As recentes movimentações do governo em busca de obter apoio para a reforma da Previdência foram cruciais para a recuperação dos preços no mercado de ações ontem. Depois de duas quedas consecutivas, o Ibovespa subiu 1,28%, aos 95.596,61 pontos.

Lá fora, as tensões foram arrefecidas, o que também contribuiu para a melhora do apetite por risco no mercado brasileiro. Os negócios somaram R$ 15,3 bilhões.

Desde a abertura, o índice já exibiu sinal positivo em reação à decisão do presidente Jair Bolsonaro de recriar os ministérios das Cidades e Integração Nacional. A reunião de Bolsonaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e os 27 governadores, pela manhã de ontem, foi outro ponto visto como positivo, por sinalizar para a melhora na capacidade de articulação do governo.

Os ganhos do Ibovespa foram puxados principalmente pelas ações da Petrobras e as do setor financeiro. No caso dos bancos, os ganhos foram relacionados à recomposição das perdas dos últimos dias, uma vez que esses papéis foram os mais castigados pela onda de aversão ao risco.

Banco do Brasil ON subiu 2,22%, Bradesco PN avançou 2,07% e Itaú Unibanco PN ganhou 1,13%. No caso de Petrobras, os ganhos de 3,42% (ON) e 3,87% (PN) foram atribuídos a declarações do presidente da companhia, Roberto Castello Branco, que garantiu que “as notícias são boas em abril e no futuro”, destacando redução no endividamento da estatal. Além disso, a quarta-feira foi de alta dos preços do petróleo, o que contribuiu para o impulso das ações da petroleira.

Mercado cambial

Da outra ponta, depois de dois pregões seguidos de alta, em que chegou a flertar com os R$ 4, o dólar recuou 0,91% na sessão de ontem e encerrou cotado em R$ 3,9331. Em maio, a moeda norte-americana ainda avança 0,30% ante o real.

Segundo operadores, agentes aproveitaram o arrefecimento da aversão ao risco lá fora, após sinais de distensão na disputa comercial entre EUA e China, e a percepção de que o governo Jair Bolsonaro tenta acertar os ponteiros com o Centrão para promover ajustes técnicos e realizar lucros de posições compradas.

Os ajustes de posições por parte dos agentes teriam começado na terça-feira, após notícias de recriação de dois ministérios (Cidades e Integração Nacional) e prosseguido ontem com notícias do encontro de Bolsonaro com governadores para angariar apoio à reforma da Previdência.

Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o recuo do dólar desta quarta não representa uma mudança de tendência capaz de levar a cotação a furar o piso de R$ 3,90 no curto prazo. “O mercado ainda está basicamente 'comprado' e com muita gente fazendo hedge”, afirmou o executivo.

O volume negociado no mercado futuro era de US$ 20,98 bilhões. O dólar futuro para maio recuava 0,94%, a R$ 3,9425. No mercado à vista, o giro atingiu US$ 1,886 bilhão.

Em um ambiente mais tranquilo no exterior, a decisão sobre a Selic foi um alívio nos prêmios na curva de juros doméstica. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a etapa regular em 6,43%, de 6,445% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 caiu de 7,042% para 7,00%. A taxa para janeiro de 2023 foi a 8,10%, de 8,182%, e a taxa do DI para janeiro de 2025, de 8,702% para 8,61%. /Estadão Conteúdo