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As ações da Cielo figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa, após a rival Rede, do Itaú, zerar taxa de antecipação de recebíveis de lojistas no cartão de crédito à vista, acirrando a competição no setor de meios de pagamentos.

Ao final dos negócios na última quinta-feira, os papéis da Cielo registraram baixa de 7,30% na bolsa de valores brasileira (B3), cotados ao preço de R$ 8,25 por ação.

Os lojistas clientes da Rede também receberão os valores depositados em dois dias. “A notícia é negativa para todos os adquirentes listados, Cielo, Stone e Pagseguro, em diferentes magnitudes, já que devem reagir ao movimento agressivo da Rede”, destacou a equipe da XP Investimentos em relatório.

De acordo com cálculos dos analistas, assumindo que as transações à vista representem de 30% a 40% do volume total de crédito, a Cielo poderia ter seu lucro líquido de 2019 reduzido em 10% a 20%.

No caso da Stone, eles avaliam que deve ser mais impactada, uma vez que a empresa atua principalmente no mercado de pequenas e médias empresas e possui maior exposição relativa ao pré-pagamento em seus resultados.

“A iniciativa da Rede, apesar de agressiva, faz parte do processo de corte de preços pelo qual a indústria vem passando nos últimos seis meses. Continuamos cautelosos com a Cielo e os adquirentes puros em geral, uma vez que os grandes bancos têm espaço significativo para abrir mão de receita nesse segmento a fim de reter e atrair clientes PMEs para sua base”, relatam os analistas.

Em comunicado de imprensa, o Itaú informou que a Rede fez um movimento inédito para o setor: “Quem vender no cartão de crédito à vista, com a maquininha Rede e receber no Itaú terá os valores depositados em dois dias com custo zero de antecipação”, diz a nota.

As condições valerão a partir de 2 de maio para atuais e novos clientes da Rede com faturamento na empresa de até R$ 30 milhões por ano. A iniciativa beneficiará pequenas e médias empresas, autônomos e microempreendedores, e contemplará usuários de qualquer modelo de maquininha da Rede. “Queremos estimular o desenvolvimento de empreendedores e pequenas e médias empresas e, ao mesmo tempo, perseguir níveis ainda mais altos de satisfação de nossos clientes”, afirmou o diretor-presidente da Rede, Marcos Magalhães, no comunicado.

“Tem que ser bom para todos: clientes, empresa, acionistas e para o país”, complementa Marcos Magalhães na nota à imprensa. /Reuters