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O clima econômico da América Latina melhorou neste início de ano, impulsionado pelo avanço das expectativas no Brasil, diante da possibilidade de encaminhamento da reforma da Previdência Social ao longo de 2019.

Contudo, a pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), Lia Valls, comenta que haverá mais clareza da sustentabilidade deste indicador em abril, data em que a instituição fará uma nova pesquisa sobre o tema. “Se até abril nada for encaminhado em termos de reformas fiscais, as expectativas do mercado financeiro podem se deteriorar”, diz Valls.

O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina – elaborado pela FGV e Instituto alemão Ifo – avançou pelo segundo trimestre consecutivo ao passar de 10,7 pontos negativos para 9,1 pontos negativos entre outubro de 2018 e janeiro de 2019.

O Brasil puxou o resultado e foi um dos poucos países a registrar melhora na sondagem. O Indicador de Clima Econômico (ICE) do Brasil avançou de 33,9 pontos negativos em outubro de 2018 para 3,6 pontos positivos em janeiro de 2019. Essa recuperação é explicada pelo aumento de 240% do indicador de expectativas (IE), de 25,9 para 88 pontos. Já o Indicador da Situação Atual (ISA) do Brasil saiu de 77,8 pontos negativos para 56 pontos também negativos.

Período adverso

Segundo Valls, a melhora do ICE da América Latina está dependendo mesmo do Brasil, tendo em vista o ambiente adverso da região. Ela destaca, por exemplo, o México, país onde o ICE despencou (de -3,9 para -41,9), em meio à piora das perspectivas do mercado em relação ao governo de esquerda de Andrés Manuel López Obrador e dos possíveis impactos de uma eventual desaceleração da economia dos Estados Unidos (EUA).

Já em relação ao Chile, Valls comenta que o processo de revisão da previdência do país tem provocado incertezas. Apesar do ICE chileno ter recuado de 44,4 pontos para 13,6 pontos, o indicador continua no positivo. Por outro lado, a pesquisadora da FGV diz que houve melhora no indicador de expectativas da Argentina (de 28,6 pontos a 35,7 pontos), em decorrência do pacote de ajuda acertado junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), e da expectativa de que o presidente argentino Mauricio Macri seja reeleito nas eleições de outubro deste ano.

A situação atual do país, por sua vez, continua negativa em 78,6. Em relatório, o Ibre destacou que toda a região acompanha o caso da Venezuela, que poderá impactar as expectativas dos seus vizinhos. No ICE, o país marca o mínimo possível (-100 pontos) nas expectativas e na situação atual.