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O Santander focará sua carteira corporativa em financiamento para comércio exterior e para projetos de infraestrutura. A instituição ainda projeta um posicionamento mais forte no microcrédito e em operações de renda variável (trading, follow on e equity).

A carteira de pessoas jurídicas do Santander Brasil no quarto trimestre de 2018 atingiu R$ 122,628 bilhões, uma leve alta de 0,1% em relação a igual intervalo de 2017 (R$ 122,563 bilhões).

O movimento foi puxado pelas pequenas e médias empresas (PMEs), que avançaram 9,5% no período, de R$ 34,288 bilhões para R$ 37,546 bilhões. A carteira de grandes negócios, porém, teve queda de 3,6% na mesma base de comparação, de R$ 88,275 bilhões para R$ 85,083 bilhões.

“Vamos colocar esforços em um forte reposicionamento do banco em comércio exterior, além dos mercados de equity e follow ons. Outro reforço que vem será no microcrédito, trazendo capital de giro aos microempreendedores”, afirma o presidente do banco, Sérgio Rial.

Na abertura da carteira do banco o maior crescimento do quarto trimestre de 2018 ante iguais três meses de 2017 foi na linha de comércio exterior, que avançou 48,5% no período, de R$ 17,379 bilhões para R$ 25,806 bilhões. O capital de giro, modalidade de maior peso na carteira, ficou em R$ 74,31 bilhões no trimestre passado, um recuo de 1,7% na mesma relação.

“O banco precisa ter a capilaridade de trazer soluções para pequenos e médios. É um ecossistema que os bancos estão se esforçando para trazer e o mesmo se aplicará em questão de produtos agrícolas e até mesmo no comércio exterior de PMEs”, acrescenta Rial.

O presidente exemplifica que um dos passos da instituição é uma parceria com a Natura, a ser divulgada com mais detalhes em fevereiro, mas que deverá facilitar a contratação de crédito para capital de giro por parte dos revendedores da empresa de cosméticos.

“Os pequenos empreendedores historicamente tem maiores dificuldades no acesso ao crédito e por isso é preciso soluções que realmente funcionem. É preciso dar acesso ao capital para essas empresas”, completa o executivo.

Infraestrutura

Dentre os demais focos do banco em 2019, o presidente também ressalta o posicionamento em financiamento à infraestrutura, mas não enxerga maiores reações das grandes empresas na demanda por recursos. “Todos podem contar com a presença do Santander em projetos de infraestrutura. Mas no curto prazo, a maior reação das grandes empresas será junto ao mercado de capitais”, avalia Sérgio Rial.

Para ele, o movimento acontece pela alta capacidade ociosa ainda presente na indústria. “A necessidade de investimento, no momento, parece limitada. E aqueles que forem buscar recursos devem ir à renda variável. Só mais pra frente é que as empresas devem buscar o equilíbrio entre crédito e mercado de capitais”, completa.

O lucro líquido do banco espanhol ficou em R$ 3,405 bilhões no quarto trimestre de 2018, um aumento de 24% em relação a iguais três meses de 2017 (R$ 2,752 bilhões).

A carteira de crédito total atingiu R$ 305,3 bilhões, avanço de 12%, enquanto a inadimplência ficou em 3,1%, recuo de 0,1 ponto percentual na mesma base de comparação. Ao final do pregão de ontem, as units do Santander caíram 2,24%, cotadas a R$ 47,90.