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O comportamento do comércio varejista brasileiro nos últimos três meses mostra perda de ritmo, avaliou Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas recuaram 0,6% em abril ante março, após dois meses de estabilidade: 0,1% em março e -0,1% em fevereiro.

"O varejo recua após dois meses de estabilidade, é só essa observação já mostra a perda de ritmo no varejo em 2019. A queda foi disseminada no varejo em abril, mas principal impacto foi do setor de supermercados (-1,8% em abril ante março). Os supermercados recuaram pelo terceiro mês seguido, acumulando uma perda de 3,4% no período", ressaltou Isabella Nunes.

Segundo a pesquisadora, as vendas dos supermercados têm sido afetadas tanto por um aumento nos preços dos alimentos consumidos no domicílio quanto pela estabilidade da massa de rendimentos dos trabalhadores.

Ainda assim, o setor consegue acumular crescimento de 2,0% nas vendas em 12 meses, um dos segmentos com melhor desempenho, por vender bens essenciais.

"A atividade econômica em baixa, a alta capacidade ociosa, o desemprego chegando a 13 milhões de pessoas, e mesmo o emprego gerado é na informalidade. Tudo isso faz com que a massa de rendimentos não cresça de forma suficiente para estimular o consumo, que fica restrito às necessidade mais básicas, como supermercados e setor farmacêutico", enumerou Isabella.