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A exemplo de companhias norte-americanas que reagiram a decisão de Donald Trump em junho de 2017 de sair do Acordo de Paris, a plataforma Compromisso com o Clima busca a adesão de empresas privadas no Brasil para preservar o meio ambiente.

A iniciativa é considerada importante num momento em que o atual governo de Jair Bolsonaro desmobiliza a fiscalização do Ministério do Meio Ambiente, e da mesma que a gestão Trump nos EUA questiona as mudanças climáticas e o Acordo de Paris.

Ontem, no evento II Diálogos sobre a Nova Economia realizado na sede da bolsa de valores em São Paulo, empresas listadas como Itaú, Natura, Lojas Renner e B3 reafirmaram o convite para que outras companhias possam se unir para apoiar projetos socioambientais em uma economia de desenvolvimento sustentável e baixo carbono (de menor emissão de gás carbônico na atmosfera). “A economia brasileira tem mais a ganhar com a floresta em pé [preservada]. De cada R$ 1 investidos em preservação, outros R$ 31 são gerados em retorno social, o que beneficia a sociedade como um todo”, afirmou ao DCI, o gerente de sustentabilidade da Natura, Keyvan Macedo.

Para a diretora de sustentabilidade da B3, Sonia Favaretto, independente dos novos rumos da política ambiental no País, as empresas brasileiras “não tiraram o pé da agenda verde”, e pelo contrário, mais companhias estão buscando fazer a mitigação e compensação da emissão de carbono. “A Bolsa está estimulando mais empresas a aderirem ao Compromisso com o Clima”, ressaltou a executiva. Na agenda da B3 para 2019 está o compromisso de compensar sua emissão de carbono e incentivar a negociação de “green bonds” (títulos verdes) no mercado local.

No mesmo embalo, o Itaú facilita o crédito para veículos elétricos, e as Lojas Renner fomentam a cultura de algodão orgânico no agronegócio.

Projetos em destaque

Entre os cases de sucesso apresentados ontem, a plataforma Compromisso com o Clima divulgou o projeto do Instituto Perene que substitui em regiões carentes na Bahia e no norte de Goiás, fogões à lenha rústicos por outros fogões ecoeficientes. “Com a crise, houve um aumento de 27% entre 2016 e 2018, do número de famílias que voltaram a utilizar lenha ou carvão para cozinhar. São 14 milhões de lares nessa situação”, contou o diretor executivo do Instituto Perene, Guilherme Valladares. Com o apoio do programa, o Instituto Perene já construiu 11 mil fogões ecoeficientes na Bahia, e com mais outros 9 mil em construção no Recôncavo Baiano, e prevê atender mais 3 mil famílias do povo Kalunga, no norte de Goiás. “Cada fogão reduz a emissão de carbono em 60%, e protege da fumaça, a saúde de mulheres, crianças e idosos nos lares”, disse.

Outro case divulgado, o da Biofílica Projetos Ambientais, preserva mais de um milhão de hectares de floresta nativa na Amazônia com recursos de crédito de carbono. A gestora de florestas também recebe apoio do Itaú, Natura, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Sicredi, Cielo, Lojas Renner, Ipiranga, Tim, entre outros.