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O Itaú espera receitas menores com prestação de serviços em 2019. Esse resultado viria de uma maior competição no setor de adquirência e como reflexo da decisão da instituição de zerar a taxa de antecipação de recebíveis para os lojistas clientes do banco na Rede.

Conforme o resultado do primeiro trimestre do Itaú Unibanco detalhado na sexta-feira, as projeções para este ano nas receitas com prestação de serviços e seguros passaram de um crescimento entre 3% e 6% para um avanço entre 2% e 5% esperados.

De acordo com o presidente do banco, Candido Botelho Bracher, a revisão do guidance vem não somente conforme o baixo consumo visto no País, mas também pelos fatores de forte concorrência no setor de adquirência, que têm se intensificado com a entrada de novos players.

“As alterações com a antecipação para D+2 na Rede é motivada pelo crescimento econômico fraco e vem na proporção do que consideramos ser o impacto concorrencial. Não há perspectivas de que essa competição vai arrefecer no setor e não há compensação para isso no curto prazo”, afirma Bracher.

Na última quinta-feira o banco começou a isentar os lojistas que são clientes da Rede, seu braço de adquirência, e que têm contas no Itaú, de tarifas sobre a antecipação de recebíveis nas vendas feitas no cartão de crédito à vista, além de desonerar, também, a transferência desses recursos para contas em outras instituições financeiras.

Segundo o analista de investimentos da Coinvalores, Felipe Silveira, é exatamente pelo momento mais competitivo do mercado que a pressão no setor é uma tendência. “Isso deve acontecer cada vez mais forte e continuará afetando a rentabilidade da Rede e o resultado de serviços”, disse.

No primeiro trimestre de 2019, as receitas com prestação de serviços do Itaú atingiram R$ 8,6 bilhões, uma queda de 6,2% ante os últimos três meses de 2018 (R$ 9,2 bilhões) e uma alta de 1,1% na comparação com igual período do ano passado (R$ 8,5 bilhões).

“É importante dizer que, de qualquer forma, a Rede continua sendo uma empresa muito lucrativa e existem outras receitas do setor que compensam o custo financeiro dessa operação. Além disso, essa foi uma decisão que antecipa uma tendência que nos parece inexorável. Tenho certeza que não ficaremos sozinhos e que, em breve, outros players seguirão o mesmo caminho”, completou o presidente do Itaú.

Lucro no balanço

Entre os demais resultados, o lucro consolidado do banco chegou aos R$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre de 2019, avanço de 4,6% em comparação ao mesmo intervalo do ano passado (R$ 6,4 bilhões).

A carteira de crédito somou R$ 647,1 bilhões, alta de 7,7% na mesma relação (R$ 601,1 bilhões). O índice de inadimplência passou a 3% nos primeiros três meses deste ano, queda de 0,1 ponto percentual ante o mesmo trimestre de 2018. Especificamente no Brasil, a inadimplência ficou estável em 3,7% no período. Ao final do pregão de sexta-feira, as ações PN do Itaú estavam entre as mais negociadas e caíram 0,97%, a R$ 33,71.