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Os pagamentos por aproximação (contactless) representam apenas 2% do total de transações do mercado. Apesar do esforço da indústria de cartões em atualizar as máquinas à tecnologia, a fraca aceitação do consumidor e a interoperabilidade são desafios.

A afirmativa foi do vice-presidente de negócios e marketing da Getnet, Silvio Cesar Santana, em palestra concedida ontem, no Congresso de Tecnologia Interbancária (CIAB) promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). “Temos um parque instalado [de maquininhas] que ainda não foi massificado no nosso País”, completou o executivo.

Os últimos dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontam que o valor transacionado com cartões em 2018 atingiu R$ 1,329 trilhão, um aumento de 8,1% em comparação a 2017 (R$ 1,230 trilhão).

De acordo com o diretor-executivo de produtos da Visa do Brasil, Alessandro Rabelo, apesar de a decisão de uso da tecnologia pertencer ao consumidor, cabe à indústria preparar a infraestrutura e trazer as informações necessárias para intensificar o uso dos pagamentos por aproximação (conhecidos como Near Field Communication, ou NFC).

“A massificação acontece através do plástico, mas o uso dos demais dispositivos [como pulseiras, anéis e o próprio celular] fica a critério do consumidor. Mas é importante ressaltar que a indústria está pronta. Só é preciso fomentar o mercado para ampliar a base de aceitação”, avalia o diretor.

Além dos esforços da indústria em atualizar o mercado e os agentes para as novas tecnologias, porém, outro ponto de atenção é a interoperabilidade de sistemas – que é um desafio, inclusive, para as operações com cartão não presente, no geral. O exemplo mais recente foi a parceria entre o MetrôRio e a Visa, que mesmo aceitando o pagamento NFC na catraca, ainda não está completamente conectado com todos os demais meios de transportes da cidade.

Para o presidente do MetrôRio, Guilherme Ramalho, no entanto, é questão de tempo para que a interoperabilidade dos sistemas de transporte aconteça. “Cada cidade tem o seu sistema de infraestrutura, mas esse processo é inevitável. Há, ainda, algumas disputas, mas o próprio contato do cliente com a tecnologia vai pressionar para que essa massificação ocorra”, comenta.

Desequilíbrio

Ainda do ponto de vista de pagamentos com cartão não presente (transações online, por exemplo), os especialistas destacam diversos desafios a serem superados para a ascensão do segmento na modalidade.

De acordo com o presidente da Mastercard para Brasil e Cone Sul, João Pedro Paro Neto, ainda há um “desequilíbrio” no mercado entre o plástico presente e o não presente.

“Ainda falta fazer com que todo o processo de autenticação e validação da transação seja feito com a mesma experiência do cartão físico. Esse movimento já é uma realidade e precisamos garantir que tanto um quanto outro tenham as mesmas características e capacidades”, pondera.

“São diferentes protocolos, ferramentas e soluções que precisamos fazer acontecer. Ainda existem indústrias e setores que precisamos estudar mais para alcançar. Mas a ideia é de que esses pagamentos superem o de cartões presentes em breve”, opinou Paro Neto, da Mastercard. Atualmente, 40% das transações são feitas com cartões não presentes.

Já quanto ao tempo para a viabilização dessas adaptações, o diretor-geral da Visa, Fernando Teles, atenta que a maior concorrência do setor já pressiona por mudanças mais rápidas e completas. Segundo o último levantamento do FintechLab, por exemplo, o setor de meios de pagamento é o maior entre as fintechs (26%).

“Só há oportunidade em demanda não atendida e todas as inovações exigidas e trazidas pelas fintechs são, sim, uma ameaça às grandes empresas. Aquelas que não se adaptarem se tornarão dinossauros. São vários meteoros que se aproximam e precisamos estar preparados”, conclui Teles.