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Os analistas de corretoras escolheram papéis da Petrobras, Gerdau e do setor financeiro para suas carteiras recomendadas de março. Mas com a economia lenta e à espera da reforma da Previdência, alguma volatilidade ainda é esperada no mercado de ações.

Dentre as quatro carteiras avaliadas, três têm sugestões de Gerdau e Petrobras em sua composição, aproveitando em parte uma certa exposição em mineração e siderurgia e, por outro lado, o peso que as expectativas locais trazem para a privatização de partes da petroleira e a eminente votação da cessão onerosa na companhia.

Segundo o analisa da Guide Investimentos Rafael Passos, por exemplo, a inserção de Gerdau no lugar de Vale foi uma “troca pontual” feita para retirar os impactos que o “fluxo de notícias negativas” têm trazido para os papéis da mineradora.

“Mantivemos, porém, um certo grau de exposição em mineração e siderurgia com Gerdau, que tem um valuation [valor de empresa] mais atrativo e deve capturar os ganhos desse segmento. É um setor que tem se valorizado e entra em março com um viés mais positivo”, explicou.

Já na visão do analista-chefe da Necton, Glauco Legat, do ponto de vista da Petrobras, as expectativas em relação à privatização de algumas partes da companhia, bem como a eminente votação da cessão onerosa voltam a ganhar peso no mercado.

A venda da participação da petroleira na Braskem – cujos papéis apareceram em metade das indicações analisadas – também ajudam a trazer um certo “ar de novidade” no setor petroquímico.

“No curtíssimo prazo, olhando apenas para março, no entanto, adotamos um tom mais cautelar, avaliando que talvez o momento não esteja tão propício. Apesar de todos os comentários políticos no campo da reforma da Previdência já terem sido feitos, há alguns pressupostos em relação à capacidade de diálogo, por exemplo, do governo Bolsonaro, que podem gerar certo ruído na renda variável”, complementou Legat, da Necton.

Cenário internacional

Em relação à análise do mercado externo, porém, as atenções estão voltadas principalmente para os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e também para o Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia.

Para o analista de investimentos da Coinvalores Felipe Silveira, apesar do presidente dos EUA, Donald Trump, ter suspendido a trégua de 90 dias para um prazo indeterminado, as expectativas de que o acordo possa ser finalizado neste mês acaba sendo visto como positivo pelos investidores.

“O principal risco, agora, fica por conta do Brexit, que ainda não demonstra nenhuma sinalização clara do que se pode esperar”, afirma.

Ele pontua, também, que a possibilidade de o Brasil perder espaço no MSCI (índice de emergentes) também pode trazer algum impacto para o País. “De qualquer forma, porém, o estrangeiro está tímido por aqui, também à espera do que vai ser da reforma previdenciária”, acrescentou Silveira.

Outras sugestões

Outros papéis que também demonstraram uma maior indicação nas carteiras das corretoras foram aqueles do setor financeiro, como B3, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, presentes em metade das carteiras recomendadas avaliadas.

Além disso, as ações da Via Varejo, Telefônica, Rumo, Suzano, Natura e Iochpe Maxion também apareceram nas indicações na mesma proporção.