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O mercado de câmbio teve novo pregão de nervosismo ontem. O dólar à vista fechou em alta de 0,36%, a R$ 4,1395, maior valor desde 18 de setembro de 2018 (R$ 4,14). Já o Ibovespa registrou queda de 1,27%, aos 96.429,60 pontos - menor pontuação desde 5 de junho (95.998 pontos).

O mercado externo teve peso decisivo para a valorização da moeda americana nesta segunda-feira, que subiu ante a maioria dos emergentes e moedas fortes, mas notícias domésticas também contribuíram para o investidor fugir de ativos de risco e buscar proteção no dólar. Entre elas, a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro e a repercussão negativa das queimadas na Amazônia, que pode afugentar investidores estrangeiros e prejudicar negociações comerciais do Brasil.

Na máxima, a moeda americana bateu em R$ 4,16 no meio da tarde, influenciada pelas fortes perdas das ações do BTG Pactual, banco envolvido nas investigações da Operação Lava Jato Perto do fechamento, o ritmo de alta se reduziu, com o banco tentando tranquilizar os investidores fazendo uma teleconferência e divulgando comunicado. A moeda americana acumula alta de 8,37% no mês.

"O ambiente externo está muito ruim e aqui dentro as notícias não ajudam", afirma a economista e estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, ressaltando que a falta de avanço nas negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos segue provocando um forte sentimento de aversão ao risco. O noticiário negativo sobre a Amazônia, ressalta a economista, não ajuda e deixa o investidor internacional ainda mais cauteloso com o Brasil.

Uma das mostras da maior cautela foi a alta do Credit Default Swap (CDS), um termômetro do risco país, que subiu para 143 pontos, considerando os contratos de cinco anos. No fechamento da sexta-feira, o CDS fechou em 139 pontos, de acordo com cotações da IHS Markit. Em outra mostra de cautela, o fluxo de estrangeiros está negativo em US$ 4,8 bilhões este mês, até o dia 22, segundo o Banco Central, que vendeu o lote integral de US$ 550 milhões das reservas no mercado à vista.

Queda do Ibovespa

O desconforto do investidor com questões do cenário doméstico fizeram o Ibovespa recuar 1,27% para 96.429,60 pontos ontem. Os sinais de estresse começaram no final da manhã de ontem e ganharam maior fôlego à tarde, com rumores envolvendo o banco BTG que levaram as units da instituição a quedas expressivas, contaminando outros papéis do setor financeiro e a bolsa como um todo.

As units do BTG terminaram com queda de 18,65%. Na mínima, sob o efeito do BTG, o Ibovespa caiu aos 95.960,74 pontos (-1,75%). Na análise por setores, a maior queda ficou com o grupo de ações do setor imobiliário (-2,70%), em realização de lucros. Com as quedas das commodities no mercado internacional, Petrobras ON e PN caíram 1,31% e 1,32%, enquanto Vale ON perdeu 1,11%. /Estadão Conteúdo