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A deflação marcada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto enfraqueceu a aposta de parte do mercado em uma elevação da taxa Selic, que deve ficar para o final deste ano ou meados de 2019.

Dessa forma, é predominante a expectativa de que os juros sejam mantidos em 6,5% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã (18).

Com o recuo de 0,09% da inflação no mês passado, os rumores de que a desvalorização do real poderia levar a um aumento da Selic se esvaíram. Na opinião de Giulia Coelho, economista da 4E Consultoria, o resultado mais recente do IPCA mostrou que os choques inflacionários que sucederam a greve dos caminhoneiros foram temporários. “É algo que está sob controle e não deve causar mais preocupação.”

A impressão da entrevistada é a mesma que apareceu no relatório Focus mais recente. Nele, os analistas mantiveram a aposta de que o Copom não vai mexer na Selic.

Em relação à desvalorização do real, Giulia afirma que o Banco Central (BC) já mostrou que tem condição de lidar com as oscilações do câmbio. “Quando foi necessário, o BC usou bem os swaps [cambiais]”, diz ela.

Eduardo Velho, sócio da GO Associados, segue a mesma linha. Além dos argumentos citados por Giulia, ele menciona o superávit nas contas externas e a fraqueza da atividade econômica brasileira para justificar a manutenção da taxa de juros pelo Copom.

“Uma elevação da Selic não seria prudente nesse momento, até porque a ociosidade da economia está impedindo que o impacto da desvalorização do real nos preços seja repassado pelos empresários aos consumidores”, diz ele.

Tendências

Entretanto, a estabilidade da Selic não deve ser mantida por muito tempo. Na visão do mercado, a subida dos juros deve acontecer até o final de 2019, podendo ser antecipada caso um candidato contrário às reformas for eleito em outubro.

“Se um reformista for eleito, a economia deve ganhar força e causar um avanço dos juros. Se isso não ocorrer, pode ser que os juros subam já neste ano [2018] por causa da incerteza”, avalia Giulia, da 4E.

Sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos, que exerce forte influência na Selic, Eduardo afirma as apostas de uma ação mais rigorosa do Banco Central americano (Fed) perderam força nas últimas semanas.

“Se a aceleração da economia [dos EUA] fosse confirmada, essa tendência de elevação dos juros poderia prevalecer, o que prejudicaria países emergentes como o Brasil. Até agora, isso não se confirmou”, comenta o especialista.

Projeções

A 4E Consultoria e a GO Associados têm previsões semelhantes para a taxa Selic. Ambas apostam que os juros ficarão em 6,5% ao ano até o final de 2018, passando a subir durante o ano que vem.

Para a 4E Consultoria, o aquecimento da economia, em 2019, deve levar a taxa a 9% ao ano. Já a GO Associados acredita que esse movimento será mais sutil, com a Selic chegando a 7,5% ao ano. O relatório Focus indica que a taxa chegará a 8% ao ano em 2019.