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O desemprego cresceu mais entre as mulheres negras durante a crise. Entre o quarto trimestre de 2014 e igual período de 2017, a taxa de desocupação entre elas passou de 9,2% para 15,9%, aumento de 6,7 pontos percentuais.

Já o desemprego entre as mulheres brancas bateu 10,6% no final do ano passado, alta de 4,4 pontos em relação aos últimos três meses de 2014, quando a taxa de desocupação foi de 6,2%, mostra um levantamento da economista e professora da Unicamp Marilane Teixeira, com base do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os homens negros, o desemprego chegou a 12,1% ao fim de 2017, alta de 5,8 pontos.

Por outro lado, a população branca masculina não só alcançou a menor taxa de desocupação no ano passado, como também expandiu menos em três anos: +3,9 pontos, de 4,6% a 8,5%.

Para Teixeira, os dados evidenciam que a recessão aprofundou fortemente as desigualdades estruturais do País, as quais não conseguiram ser superadas nem mesmo durante ciclos econômicos de crescimento. “Os problemas estruturais de gênero e raça no Brasil se acentuaram na crise, e a recuperação da economia em 2017 foi marcada, do ponto de vista do mercado de trabalho, pelo emprego precário e informal.”

Informalidade

Segundo a professora da Unicamp, a informalidade atingiu 52,4% das mulheres pretas e pardas e 43,2% das brancas. Entre a população masculina, a taxa foi de 53,9% para os negros e de 46,9% para os brancos. Teixeira ressalta que, apesar das mulheres brancas terem o menor nível de informalidade, a ocupação entre elas “praticamente estagnou”.

A professora da Unicamp especifica que as mulheres absorvidas pela informalidade têm atuado, geralmente, nos serviços e comércio, vendendo alimentos, costurando para fora e até no chamado “trabalho familiar auxiliar”, que cresceu bastante entre a população feminina, segundo Teixeira. “É aquela mulher, por exemplo, que trabalha no bar do marido para ajudá-lo, mas quase sempre sem remuneração”, diz.

Na avaliação de Teixeira, o ano de 2018 ainda será marcado pela informalidade entre as mulheres, já que este perfil de ocupação permite a elas se dividirem nas tarefas domésticas. “Desde 2000, as mulheres continuam trabalhando o dobro de horas em casa do que os homens. Este número não muda e não há nenhuma sinalização dos governos de criação de políticas públicas que reduzam essa desigualdade, como a criação de creches, por exemplo.” Segundo o IBGE, as mulheres dedicam 73% mais horas do que os homens aos cuidados domésticos.