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O coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, chamou a atenção ontem, para os efeitos da cor da pele no desemprego do País.

Segundo os dados do IBGE, 63,9% do total de 13,387 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre são pretos e pardos. Com isso, a taxa de desemprego entre as pessoas de pele preta ficou em 16,0%, ante a média nacional de 12,7%. Já a taxa para as pessoas de pele parda foi de 14,5%, já entre os brancos, ficou em 10,2%.

No primeiro trimestre de 2012, quando havia 7,6 milhões de desempregados, pretos e pardos representavam 59,1% do total de pessoas desocupadas, ou seja, o desemprego atingiu mais essa parcela da população. "Em sua maioria, a população de pretos e pardos é de baixa renda O avanço expressivo (no desemprego) é porque os cortes de vagas foram maiores nos canteiros de obra, e outros empregos que atingem a população mais pobre", afirmou Azeredo.

Informalidade por regiões

A situação do mercado de trabalho, marcada por elevado desemprego e subutilização da mão de obra, assim como pelo crescimento de ocupações típicas da informalidade está generalizada em todo o território nacional. "O grande destaque é que a situação que a gente vive hoje no Brasil não está localizada num Estado ou noutro. A queda na carteira (de trabalho) se dá em todos os Estados. O aumento da informalidade acontece em todos os Estados", afirmou Azeredo.

Segundo os dados regionais, as maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá (20,2%), na Bahia (18,3%) e no Acre (18 0%). No Rio, a taxa ficou em 15,3% e, em Minas Gerais, em 11,2%. As menores taxas foram observadas em Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8%) e Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%).

Azeredo destacou que registrar taxas de desemprego mais elevadas é uma característica estrutural do mercado de trabalho no Nordeste. Só que, mesmo os Estados do Sul, que tradicionalmente registram as menores taxas de desemprego, estão hoje numa situação pior do que estavam antes da crise. Santa Catarina, que tem a menor taxa de desemprego no primeiro trimestre, com 7,2%, já registrou 2%. "Santa Catarina tem a taxa mais baixa, mas não estava acostumada com esse nível de desocupação”, afirmou. /Estadão Conteúdo