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Descolado do ambiente de fortalecimento da moeda americana frente a divisas emergentes, o dólar à vista operou em queda ao longo de toda a sessão de ontem e, após registrar mínima de R$ 4,0526, encerrou os negócios a R$ 4,0648, em queda de 0,75%.

Dados surpreendentes das vendas no varejo, aliados a sinais positivos da reforma da previdência e aos efeitos cumulativos das intervenções do Banco Central no mercado de câmbio, deram fôlego extra ao real ontem.

A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, observa que os números do varejo deram ânimo ao mercado acionário brasileiro, o que acabou contribuindo para o fortalecimento do real. "Não dá para afirmar que a economia agora vai deslanchar, mas foi uma surpresa muito positiva e acabou contribuindo para o dólar se descolar lá de fora".

Simone também destaca o impacto positivo da informação de que o relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Tasso Jereissati, em consulta com técnicos legislativos, pode alterar seu parecer para evitar que o texto tenha que voltar a Câmara.

Segundo operadores, o maior apetite ao risco exterior e a diminuição das tensões na Argentina nos últimos dias diminuíram a atratividade das apostas especulativas contra o real. Por outro lado, a cautela em relação a um eventual recrudescimento da guerra comercial e seus eventuais efeitos sobre a economia global desautorizam uma queda mais acentuada do dólar.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observa que, além do ambiente externo mais ameno, os efeitos cumulativos da atuação do Banco Central acabam dando certa sustentação ao real. Além disso, há expectativa de melhora do fluxo cambial nos próximos meses, com entrada de recursos para leilões da cessão onerosa e de privatizações. "Lá fora o clima acalmou. Aqui, as reformas estão andando e a economia dá algum sinal de melhora. Com esses fatores e um BC atuante, suprindo a demanda no mercado à vista, a dinâmica do mercado de câmbio ficou melhor", diz Galhardo.

Pela manhã de ontem, o BC colocou integralmente as ofertas de US$ 580 milhões nos leilões de dólares à vista e de swap cambial reverso À tarde, informou que o fluxo cambial em setembro até o dia 6 foi negativo em US$ 1,591 bilhão, com saídas líquidas de US$ 1,744 bilhão pelo canal financeiro. No acumulado do ano, o fluxo é negativo em US$ 8,177 bilhões. Para se ter uma ideia da magnitude desses números, basta lembrar que em igual período de 2018, o saldo era positivo em US$ 23,303 bilhões.

Índice em elevação

O Ibovespa defendeu a região dos 103 mil pontos pelo terceiro dia consecutivo ontem, aproveitando os ventos externos e perspectivas locais mais favoráveis. Os papéis de companhias que podem ser beneficiadas pela retomada da economia, como varejo e construção civil, deram o tom positivo à sessão de negócios ao mesmo tempo em que dados de vendas no país surpreenderam positivamente.

O anúncio de que os Estados Unidos podem relaxar as sanções sobre o Irã, abateu os papéis da Petrobras, que juntamente com uma realização para o setor de bancos, limitaram os ganhos do Ibovespa, que encerrou em alta de 0,40%, aos 103.445,60 pontos. O giro financeiro foi de R$ 16,3 bilhões. /Estadão Conteúdo