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O dólar teve a quarta semana consecutiva de queda, acumulando baixa de 5,12% nos últimos trinta dias. Na última sexta-feira, porém, apesar do dia de instabilidade e fraca liquidez, a divisa encerrou com alta de 0,16%, a R$ 3,7135.

O real é a divisa que mais se valorizou ante a moeda norte-americana neste começo de 2019, considerando um ranking de 143 países preparado pela Austin Rating. Após a queda de 4% nas duas primeiras semanas de 2019, a dúvida é se o dólar tem fôlego para cair mais no Brasil nas próximas semanas.

O estrategista para emergentes do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin, avalia que melhora adicional do real será difícil até que ocorra “progresso concreto” nas reformas. Para ele, os investidores ficaram “otimistas demais” com o novo governo e o andamento das reformas não deve ser tão fácil como esperado.

O banco alemão Commerzbank avalia que boa parte das perspectivas positivas com Bolsonaro já está nas cotações do câmbio e, portanto, só a implementação das medidas pode ajudar o dólar a cair mais. No curto prazo, o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, avalia que há espaço para o dólar subir “um pouco mais em meio ao movimento de correção técnica”.

A avaliação dos especialistas é que a dinâmica sobre a reforma da Previdência e o cenário internacional devem seguir ditando o comportamento do câmbio. Na sexta-feira, a novidade sobre a reforma foi a declaração do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que hoje o governo terá uma discussão preparatória sobre a reforma antes de apresentar a proposta para Bolsonaro.

Para o economista sênior para a América Latina da consultoria americana Continuum Economics, Pedro Tuesta, um dos riscos é que o governo, apesar do esforço do ministro da Economia, Paulo Guedes, só consiga aprovar uma versão desidratada das medidas para mudar a aposentadoria.

Mercado acionário

Em uma semana na qual renovou sucessivos recordes e se aproximou da nova resistência (94 mil pontos), o Ibovespa sucumbiu às correções e encerrou o último pregão da semana em baixa de 0,16%, aos 93.658,31 pontos. Ainda assim, garantiu uma rentabilidade acumulada semanal de 1,98% e, no mês, de 6,57%. O giro financeiro da última sexta-feira foi de R$ 14,9 bilhões.

Na avaliação de Rafael Passos, da equipe da Guide Investimentos, a retração do índice foi tão comedida que, se não fosse a correção dos preços do petróleo na sexta, teria forças para operar na contramão das outras bolsas. Por mais um dia consecutivo, as ações ON do Banco do Brasil tiveram alta em contraposição ao restante das blue chips. Encerraram com ganhos de 0,41%.

Para o início da próxima semana de negócios, o analista acredita que o exterior ainda pesará sobre as decisões.

A última sexta-feira, foi de oscilações contidas e liquidez reduzida no mercado futuro de juros, que teve como principal evento a divulgação da inflação de dezembro.

Ao final da sessão estendida, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020 ficou com taxa de 6,62%, ante 6,65% do ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2021 projetou 7,44%, ante 7,46%. O DI para janeiro de 2023 ficou estável, com taxa de 8,48%. Já o de janeiro de 2025 projetou 8,97%, ante 8,94%. /Estadão Conteúdo