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O dólar fechou ontem na maior cotação do ano, a R$ 3,8347 (+1,41%), menor apenas do que o último fechamento de 2018 (R$ 3,8755). Em dia de agenda doméstica fraca, as mesas monitoraram eventuais impactos do tuíte de Jair Bolsonaro sobre o Carnaval.

O câmbio, porém, foi principalmente pressionado pelo exterior. A quarta-feira foi marcada pelo aumento da aversão ao risco no mercado financeiro internacional e fortalecimento da moeda norte-americana ante divisas de emergentes, por causa de renovadas preocupações sobre a desaceleração da economia mundial e com os investidores na expectativa pelos desdobramentos das negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos.

Também contribuiu para a alta do dólar em ritmo mais forte aqui o ajuste técnico pós feriado de carnaval, quando o mercado local ficou fechado na segunda e terça-feira e o dólar se fortaleceu no exterior nos dois dias, ressaltam operadores.

A sessão foi mais curta, por conta da Quarta-Feira de Cinzas, com os negócios começando às 13h. O dólar bateu várias máximas e chegou a R$ 3,84 após declarações do presidente da distrital de Nova York do Fed, John Williams, que ressaltou que o Fed afirmar ser “paciente”, como tem feito nos últimos comunicados, não é um compromisso em manter as taxas de juros inalteradas, como espera Wall Street. Além disso, declarou que não é possível dizer ainda quando a redução do balanço patrimonial da instituição vai terminar.

O diretor da corretora Mirae Pablo Spyer minimizou eventuais impactos no câmbio do tuíte do presidente Jair Bolsonaro, que postou um vídeo obsceno sobre o carnaval. A postagem teve repercussão internacional, foi um dos três assuntos mais comentados do Twitter no mundo, e levantou nas mesas preocupações sobre eventuais impactos negativos da comunicação do governo em um momento que o Planalto precisa buscar mais apoio no Congresso para apoiar a reforma da Previdência.

Mercado acionário

O mercado acionário brasileiro, por sua vez, manteve o tom negativo na volta do feriado de carnaval e o Índice Bovespa fechou ontem, em leve baixa, ainda no patamar dos 94 mil pontos. Com a agenda doméstica esvaziada, coube ao cenário internacional determinar o viés de baixa do índice, em meio a preocupações sobre o ritmo da economia mundial.

Com as bolsas de Nova York em queda generalizada e o dólar avançando firmemente ante o real, o Ibovespa fechou com perda de 0,41%, aos 94.216,87 pontos. O pregão teve início às 13h e o volume de negócios foi mais baixo, somando R$ 8,6 bilhões.

A queda foi puxada principalmente pelas ações do setor financeiro e elétrico, enquanto papéis ligados a commodities subiram e amenizaram as perdas. Na análise por ações, as da Vale foram o destaque positivo do dia, com alta de 2,80%. Do lado negativo estiveram os papéis da JBS, maior baixa do índice, com queda de 5,10%.

O mercado de juros voltou estressado do feriado prolongado do carnaval, com taxas em alta ontem. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão estendida em 6,480%, de 6,470% no ajuste anterior, a do DI para janeiro de 2021 subiu de 7,162% para 7,19%. A taxa do DI para janeiro de 2023 ficou em 8,34%, de 8,302%, e a do DI para janeiro de 2025 terminou em 8,90%, de 8,842%. /Estadão Conteúdo