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O dólar engatou a quarta queda consecutiva e terminou a sessão de ontem em baixa de 0,46%, aos R$ 3,8567. O movimento veio da desmontagem de posições mais defensivas de investidores estrangeiros e da entrada de fluxo externo.

Na reforma da Previdência, os investidores aguardam a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), hoje. Guedes se reuniu com vários partidos políticos ontem e ouviu que muitos parlamentares querem que as mudanças na aposentadoria rural e nos Benefícios de Prestação Continuada (BPC) sejam retirados do texto da Previdência.

O governo está disposto a ceder nestes pontos, segundo o secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. No final da tarde de ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse ter “certeza” que estes dois pontos “não sobreviverão” na Comissão Especial. Mais cedo, a agência de classificação Fitch Ratings alertou para o risco de a reforma não ser aprovada.

Para sócio-diretor da Assessoria Via Brasil, Durval Corrêa, um dos pontos que o mercado vai monitorar na participação de Guedes na CCJ é como estarão os parlamentares e o ministro. “Se houver um clima mais hostil, o mercado pode ficar estressado”, disse ele.

Em reuniões com investidores nos EUA, nas costas Leste e Oeste, os estrategistas do Citi destacam que a reforma da Previdência foi a principal preocupação mostrada nos encontros com todos os clientes, que aconteceram entre os dias 25 e 29. “Durante estas conversas, o processo de aprovação da reforma tomou a maior parte do tempo, com questões relacionadas à tramitação, potencial diluição e o impacto fiscal dominando o debate.” O Citi espera que a aprovação do texto ocorra no terceiro trimestre, com economia fiscal de R$ 500 bilhões em 10 anos.

Mercado acionário

Depois de acumular valorização superior a 4,5%, em três altas consecutivas, o Índice Bovespa cedeu à realização de lucros e fechou ontem em baixa de 0,70%, aos 95.386,76 pontos. O desempenho mais fraco das bolsas de Nova York e alguns ruídos em torno da reforma previdenciária foram os gatilhos para a correção de preços. Os negócios somaram R$ 11,6 bilhões, abaixo da média das últimas semanas.

Embora o pregão tenha sido considerado relativamente tranquilo, causou desconforto a sinalização de que a reforma da Previdência já estaria, precocemente, em processo de desidratação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara.

Na mínima do dia, o Ibovespa marcou 94.824,93 pontos (-1,28%). A desaceleração mais forte veio nos minutos finais de negociação, com a virada forte das ações da Petrobras, que terminaram com ganhos de 0,42% (ON) e 1,04% (PN). As quedas mais significativas ficaram com o setor de mineração e siderurgia, sintonizadas com os preços do minério de ferro. Vale ON caiu 1,84% e Usiminas PNA que teve queda de 5,09%.

Já o mercado de juros teve uma sessão mais travada, com as taxas se movendo lateralmente durante o dia para terminarem com viés de queda nos principais contratos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,485%, de 6,495% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 ficou em 7,02%, de 7,05%. A taxa para janeiro de 2023 caiu de 8,13% para 8,12% e a taxa para janeiro de 2025 foi de 8,652% para 8,66%. /Estadão Conteúdo