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A onda de bom humor que favoreceu os ativos na última quarta-feira continuou a afetar o comportamento do dólar frente ao real no pregão de ontem. A moeda chegou a romper o patamar dos R$ 3,80, mas fechou com queda de 1,23%, cotada aos R$ 3,7579.

Além dos fatores domésticos – com expectativas positivas em relação a possíveis medidas econômicas do governo de Jair Bolsonaro –, a queda da divisa teve impulso na perda global de força do dólar. O segundo dia consecutivo de alta no petróleo também colaborou para fortalecer as moedas de países exportadores da commodity.

O mercado ajusta ainda posições após a forte alta da divisa estadunidense ante o real em dezembro, impulsionada pela saída sazonal, mas significativa, de remessas ao exterior, o que aumenta a procura por dólares no País.

“Em dezembro, o dólar foi sustentado por uma forte saída de remessas. O mercado não ia conseguir sustentar o mesmo cupom, mas talvez esse ajuste esteja acontecendo mais rapidamente em função do ambiente político”, aponta o operador da corretora Necton, José Carlos Amado.

Operadores apontam que o fator de maior peso no mercado continua sendo o noticiário doméstico. Além de os investidores responderem positivamente aos primeiros dias do governo Bolsonaro, com o aumento do apoio da candidatura de Rodrigo Maia (DEM/RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, o discurso liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, também é visto com bons olhos.

O dólar medido pelo índice DXY, frente a uma cesta de moedas fortes, caía 0,55% no meio da tarde. E tinha queda significativa também frente a emergentes, sobretudo as divisas ligadas à exportação de petróleo. O preço futuro do barril da commodity negociado na Nymex tinha alta de 1,68%.

Mercado acionário

Após passar a maior parte da sessão em baixa em meio a uma realização de lucros, o Ibovespa ganhou fôlego na reta final da sessão de ontem, à medida que as ações de Petrobras e bancos passaram a subir com força. O índice renovou a máxima histórica de fechamento pelo segundo dia seguido, e encerrou em alta de 0,61%, aos 91.564,25 pontos.

A influência positiva ainda vem do otimismo com o governo Bolsonaro. Lá fora, porém, pressionaram os ativos as preocupações quanto a uma desaceleração global, alimentadas pela revisão para baixo na projeção de receita da Apple no primeiro trimestre fiscal. Em Nova York, os índices acionários operavam em queda de mais de 2%. O volume foi de R$ 20 bilhões.

No fim do pregão, as ações da Petrobras ganharam impulso, subindo mais de 2%. Papéis de bancos também passaram a subir, e as ações de Itaú Unibanco e Bradesco avançaram mais de 1%. As ações da Vale recuaram 4,09%; Suzano, -5,62%; e BRF, -3,98%. Já Sabesp subiu 7,71% e Eletrobras 5,98% (ON) e 6,01% (PNB).

Depois de uma quarta-feira marcada pela queda, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) oscilaram em ligeira alta e terminaram a sessão próximas aos ajustes anteriores. Ao final da sessão estendida, o DI com vencimento em janeiro de 2020 teve taxa de 6,50%, ante 6,45% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2021 foi a 7,24%, ante 7,22% e o vencimento para janeiro 2023 ficou em 8,38%, de 8,39%.No contrato de janeiro de 2025, a taxa foi de 8,97% para 8,96%. /Estadão Conteúdo