Dólar hoje (18/3): moeda fecha em alta a R$ 5,24 com cautela global

A moeda norte-americana subiu 0,90% e fechou cotada a R$ 5,246
Escrito por Anny Malagolini
Publicado em
Dólar hoje
Foto: Getty Images/Rafael Carvalho
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O dólar encerrou esta quarta-feira, dia 18 de março de 2026, em alta no mercado brasileiro, refletindo um cenário de cautela global e expectativas em torno das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana subiu 0,90% e fechou cotada a R$ 5,246, acompanhando o movimento de aversão ao risco no exterior. O avanço ocorre em um dia marcado pela decisão do Federal Reserve, que optou por manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Dólar sobe com pressão externa

O desempenho do câmbio foi influenciado principalmente pelo cenário internacional. Dados de inflação ao produtor nos Estados Unidos vieram acima do esperado, reforçando a percepção de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo.

Além disso, a continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio contribuiu para aumentar a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar. Com isso, moedas de países emergentes, como o real, tendem a perder valor frente à divisa norte-americana.

No Brasil, o movimento de alta do dólar também refletiu a expectativa do mercado pela decisão do Comitê de Política Monetária, que define a taxa Selic.

Investidores aguardam o anúncio com incerteza: parte do mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, enquanto outra parcela não descarta a manutenção dos juros.

Esse ambiente de dúvida contribui para a volatilidade no câmbio, já que decisões sobre juros impactam diretamente o fluxo de capital estrangeiro.

O cenário de cautela também foi observado na bolsa de valores. O Ibovespa fechou em queda de 0,43%, aos 179.639,91 pontos, voltando a perder o patamar dos 180 mil pontos.

A combinação de juros elevados nos Estados Unidos, dólar em alta e incertezas domésticas pressionou os ativos brasileiros ao longo do pregão.

O que esperar do dólar

Para os próximos dias, o comportamento do dólar deve continuar sensível a dois fatores principais:

  • decisões de juros no Brasil e nos EUA
  • evolução do cenário geopolítico global

Além disso, questões internas, como a possibilidade de paralisações no setor de transporte, também podem gerar impacto no câmbio.

Com esse conjunto de fatores, a tendência é de manutenção da volatilidade no curto prazo, com o dólar reagindo rapidamente a novos dados econômicos e decisões de política monetária.

Por que o dólar é a moeda mundial?

O status do dólar como moeda de reserva global foi consolidado após a Segunda Guerra Mundial pela Conferência de Bretton Woods de 1944, na qual quarenta e quatro países concordaram com a criação do FMI e do Banco Mundial . (Alguns economistas argumentam que o dólar já havia ultrapassado a libra esterlina como principal moeda de reserva em meados da década de 1920, enquanto outros defendem que o dólar é a primeira verdadeira moeda de reserva.) Em Bretton Woods, foi criado um sistema de taxas de câmbio no qual cada país atrelava o valor de sua moeda ao dólar, que por sua vez era conversível em ouro à taxa de US$ 35 por onça. Isso visava proporcionar estabilidade e evitar as guerras cambiais da década de 1930 — uma resposta à Grande Depressão —, pelas quais os países abandonaram o padrão-ouro e desvalorizaram suas moedas na tentativa de obter vantagem competitiva.

Na década de 1960, porém, os Estados Unidos não possuíam ouro suficiente para cobrir os dólares em circulação fora do país, o que gerou temores de uma corrida bancária que poderia dizimar as reservas de ouro americanas. Após tentativas frustradas de salvar o sistema, o presidente Richard Nixon suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro em agosto de 1971, marcando o início do fim do sistema de taxas de câmbio de Bretton Woods. O Acordo Smithsonian , firmado alguns meses depois por dez dos principais países desenvolvidos, tentou resgatar o sistema desvalorizando o dólar e permitindo maior flutuação das taxas de câmbio, mas teve vida curta. Em 1973, o sistema atual de taxas de câmbio predominantemente flutuantes já estava em vigor. Muitos países ainda administram suas taxas de câmbio, seja permitindo que flutuem apenas dentro de uma determinada faixa, seja atrelando o valor de sua moeda a outra, como o dólar.

O dólar americano ainda reina absoluto, apesar dos desafios recentes. Além de representar a maior parte das reservas globais, o dólar continua sendo a moeda preferida para o comércio internacional. Grandes commodities, como o petróleo, são compradas e vendidas principalmente em dólares americanos, e algumas das principais economias, incluindo a Arábia Saudita, ainda atrelam suas moedas ao dólar.

Os fatores que contribuem para o domínio do dólar incluem seu valor estável, o tamanho da economia americana e a influência geopolítica dos Estados Unidos. Além disso, nenhum outro país possui um mercado para sua dívida comparável ao dos Estados Unidos, que totaliza aproximadamente US$ 22,5 trilhões. “É mais útil pensar nos títulos do Tesouro americano como o principal ativo de reserva mundial”, afirma Brad W. Setser, do CFR (Conselho de Relações Exteriores). “É difícil competir com o dólar se você não tem um mercado análogo ao mercado de títulos do Tesouro.”

Anny Malagolini é jornalista com ampla experiência em produção de conteúdo digital e SEO. Atuou em redações como Campo Grande News, Correio do Estado e Midiamax, faz a estratégia editorial do portal DCI, com foco em audiência orgânica e conteúdo de autoridade.