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O dólar poderá rondar patamares entre R$ 3,50 e R$ 3,60 a depender da recuperação econômica dos próximos meses. Encerrado o período de maior estresse da reforma da Previdência, o mercado de câmbio passa a ser ditado pela política monetária dos EUA.

Embora a sanção efetiva ainda seja motivo de atenção do mercado, a aprovação em primeiro turno da reforma Previdência no último dia 12 já é motivo para que as expectativas sejam de valorização do real até o fim do ano.

Segundo as informações do relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgadas ontem, por exemplo, a projeção é de que o câmbio encerre 2019 em R$ 3,75. Há um mês, a cotação estava em R$ 3,80. Para o fim de 2020, a estimativa continua em R$ 3,80.

“De um lado, as reformas locais seguem guiando o ambiente doméstico. Apesar de certo desagrado sobre como o presidente vem tocando alguns aspectos microeconômicos, os ministros têm atuado bem e o Congresso parece comprometido”, avalia o responsável pela área de câmbio e renda fixa da Terra Investimentos, Marcelo Castro.

Já de acordo com o responsável pela área de produtos da Monte Bravo, Rodrigo Franchini, porém, o mercado já precificou grande parte de todo o cenário brasileiro.

“As incertezas ao redor da Previdência arrefeceram e a maior parte do estresse do câmbio com essa questão anuviou. Obviamente que qualquer anúncio novo pode trazer algumas movimentações pontuais, mas as atenções agora estão voltadas ao cenário externo”, explica o executivo.

Nessa linha, o principal fator que perdura na análise dos especialistas de câmbio são as sinalizações do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) de que haverá uma nova onda de cortes nas taxas de juros dos EUA.

Para o diretor de estratégia e inovação da Meu Câmbio, Mathias Fischer, a expectativa é de que o corte por parte do Fed fique entre 0,25 e 0,5 ponto percentual (p.p.).

“O menor diferencial de juros faz com que o incentivo para investimento fora dos Estados Unidos não seja tão grande. Mas também existem outros focos de atenção, como a desaceleração da economia global e as incertezas ao redor da guerra sino-americana”, complementa o diretor.

O resumo das movimentações locais e internacionais, porém, é positivo em termos de valorização do real, principalmente em uma situação de recuperação do País. As projeções dos especialistas entrevistados pelo DCI são de que a cotação do dólar encerre este ano entre a marca de R$ 3,50 e 3,60, a depender da evolução da economia doméstica.

“Esse é um terceiro componente que também traz perspectivas mais favoráveis e está correlacionado ao relaxamento monetário dos Estados Unidos e da Europa. Caso vejamos essa melhora do crescimento, podemos esperar outra rodada de valorização do real e novos fluxos estrangeiros entrando no Brasil”, acrescenta o economista-chefe da Guide Investimentos, João Maurício Rosal.

Os especialistas reiteram que como a base do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é baixa – as projeções do Focus são de um crescimento de 0,82% para 2019, por exemplo –, qualquer impulso na atividade econômica é relevante.

“A possível nova liberação do FGTS, por exemplo, pode dar uma aceleração de pelo menos 0,5% no PIB, o que ainda não é um grande crescimento, mas também não é desprezível”, completa Castro, da Terra Investimentos.

Ontem, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, confirmou o anúncio da nova liberação do fundo de garantia está previsto para amanhã. A estimativa é de que, com isso, cerca de R$ 63 bilhões fiquem disponíveis aos trabalhadores.

‘Novos horizontes’

Entre os demais pontos de atenção para o mercado cambial, os especialistas também destacaram o possível anúncio de estímulos por parte do Banco Central Europeu (BCE), o aumento das tensões no Oriente Médio e as expectativas de cortes na taxa básica de juros (Selic) pelo BC.

“De modo geral, temos visto todo esse cenário com bons olhos e, a partir de agosto, algumas novidades e mudanças devem trazer novos horizontes”, conclui Franchini.