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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuava acentuadamente ante o real nesta terça-feira, tendo tocado 1 por cento de queda na mínima do dia, com a tramitação da reforma da Previdência no foco, tendo como pano de fundo maior apetite por risco no exterior.

Às 12:15, o dólar recuava 0,72 por cento, a 3,8142 reais na venda. Na véspera, encerrou com queda de 0,73 por cento, a 3,8418 reais na venda.

O dólar futuro caía 0,62 por cento.

"Deixadas de lado as polêmicas, o mercado volta a focar nas movimentações ligadas à Previdência, e isso tem permitido desde segunda-feira parte da devolução das pressões da última semana", afirmou o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto.

Na semana passada, a moeda norte-americana acumulou alta de 2,38 por cento frente ao real.

Após iniciar a semana otimista sobre a reforma da Previdência, o mercado segue monitorando avanços na tramitação, com expectativa de que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara seja instalada na quarta-feira.

No entanto, a CCJ, primeiro colegiado que apreciará a proposta, só votará a reforma da Previdência depois que o governo enviar a proposta com as novas regras para aposentadoria de militares, informaram líderes na noite de segunda-feira.

O governo do presidente Jair Bolsonaro liberou o pagamento de 1 bilhão de reais em emendas parlamentares, fazendo um agrado a deputados que irão analisar em breve o projeto da Previdência, disse o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO).

O presidente, porém, negou que a liberação das emendas esteja ligada às negociações pela aprovação da reforma.

No exterior, há maior apetite por risco ligado a possíveis desdobramentos do Brexit no Reino Unido, com uma votação crucial do Parlamento marcada para esta noite, além de eventuais progressos nas negociações entre China e Estados Unidos.

A busca por risco também provoca uma desvalorização do dólar contra outras moedas em geral, com a divisa norte-americana operando em queda de 0,18 por cento frente a uma cesta de moedas.

Investidores também digeriam o aumento modesto dos preços ao consumidor dos Estados Unidos de fevereiro, embora tenha sido a primeiro alta em quatro meses.

"O índice de preços baixo alimenta esse sentimento de paciência do Fed com o processo de ajuste dos juros, dando espaço até para que surjam apostas mais agressivas de corte de juros", avaliou Campos Neto, referindo-se à postura do Federal Reserve, banco central norte-americano.

O Banco Central vendeu nesta sessão todos os 14,5 mil swaps cambiais tradicionais ofertados em leilão, equivalente à venda de dólar futuro. Assim, neste mês, já rolou 3,625 bilhões, cerca de um terço dos 12,321 bilhões que vencem em abril.

 

 

(Por Laís Martins)