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O dólar rompeu definitivamente o teto dos R$ 4 na sessão de ontem, em meio ao fortalecimento global da moeda norte-americana e, sobretudo, pela busca por proteção ante a deterioração do capital político de Jair Bolsonaro. A divisa subiu 0,98%, aos R$ 4,0357.

Com mínima de R$ 3,9947 e máxima de R$ 4,0416, o dólar à vista fechou em alta de 0,98%, a R$ 4,0357, o maior valor de fechamento desde 28 de setembro do ano passado. E as perspectivas de operadores e analistas são de que a taxa de câmbio se mantenha acima de R$ 4 no curto prazo.

A corrida ao dólar começou já na abertura dos negócios em meio à conjunção de alta da moeda norte-americana no exterior e ao aumento das tensões políticas. À surpresa com a magnitude dos protestos de rua na quarta contra o contingenciamento da educação somaram-se as preocupações com os desdobramentos da quebra do sigilo do senador Flávio Bolsonaro, aparentemente envolto em transações suspeitas.

As declarações de Bolsonaro, que chamou manifestantes de idiotas, e a piora da situação fiscal, com o governo sem forças nem para aprovar com facilidade crédito suplementar, completavam o quadro de desalento. Um presidente com capital político erodido e sem base de apoio no Congresso significa dificuldades enormes para aprovação de uma reforma da Previdência robusta, ponto considerado essencial para retomar a confiança e a recuperação da economia.

Ao quadro interno turbulento somava-se a rodada de alta global do dólar após dados positivos da economia dos EUA. O Índice DXY – que compara o dólar a uma cesta de seis moedas – subiu 0,27%, em dia de perdas do euro. A moeda norte-americana também apresentou ganhos firmes ante divisas de países emergentes, com destaque para a lira turca e o rand sul-africano.

Apesar do estresse dos últimos dias, analistas não veem motivo para intervenção do Banco Central (BC), já que não há disfuncionalidades no mercado de câmbio e já há provisão de hedge por meio de rolagem de swap cambial.

Baixa no Ibovespa

Os fatores domésticos também foram os impulsionadores da queda de 1,75% do Índice Bovespa, que encerrou ontem aos 90.024,47 pontos. Mesmo sem notícias de relevo no campo político, o mercado manteve o desconforto da véspera e teve um pregão com momentos de estresse Os negócios somaram R$ 16,7 bilhões, o maior registrado em mais de um mês.

Um fator específico foi um agravante significativo para o Ibovespa no período da tarde. As ações da Vale passaram a registrar perdas fortes após a notícia de que a mineradora informou ao Ministério Público e Minas Gerais sobre uma deformação na estrutura na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, “passível de provocar a sua ruptura”. Ao final do pregão, Vale ON teve queda de 3,23%. Influenciado pela ação da mineradora, o Ibovespa chegou a bater mínima de 89.778,11 pontos (-2,01%).

Inseridos no contexto de piora generalizada dos mercados domésticos, os juros renovaram máximas na reta final da sessão regular de ontem.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 subiu de 6,395% para 6,4360% e a do DI para janeiro de 2021, em 6,92%, de 6,841%. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 8,12% (máxima), de 8,002%, e a do DI para janeiro de 2025 fechou a 8,72%, ante 8,61%. /Estadão Conteúdo