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O dólar teve, ontem, a maior alta dos últimos 11 pregões, enquanto o real registrou um dos piores desempenhos no mundo. A moeda norte-americana se fortaleceu ante divisas de países desenvolvidos e emergentes e encerrou com avanço de 1,11%, a R$ 3,7049.

O movimento veio em meio a temores de nova paralisação no governo dos Estados Unidos e de desaceleração da economia mundial.. A moeda brasileira só perdeu menos valor ante o dólar que a moeda da Austrália e o rand da África do Sul. Por aqui, preocupações com a tramitação da reforma da Previdência no Congresso fizeram o investidor buscar proteção.

Profissionais destacam que recentes declarações em Brasília sinalizam que a Previdência pode demorar mais para ser aprovada do que se esperava, em meio a algumas divergências dentro do governo e entre os parlamentares.

Há ainda notícias de que o governo pode não aproveitar o texto proposto por Michel Temer, já no Congresso, e pretende encaminhar uma PEC nova, o que exigiria mais tempo de tramitação. O dólar chegou a R$ 3,7165 no final da manhã e desencadeou ordens de zeragem de posição para interromper perdas (“stop loss“) dos investidores vendidos muito posicionados em R$ 3,70, segundo a mesa de câmbio da Correparti.

Muito da força do real neste início de ano veio da percepção de que as reformas, especialmente a da Previdência, vão avançar, destacam os estrategistas do banco canadense Scotiabank. “Permanecemos cautelosos com a agenda de reformas”, afirmam, ressaltando que o real ainda pode se desvalorizar ante o dólar.

Mercado acionário

Na bolsa, a notícia de que a Vale teve cancelada sua autorização para operar a barragem de Laranjeiras (MG) ampliou significativamente o sinal de baixa do Índice Bovespa, que teve ontem sua maior queda percentual desde maio de 2018.

O Ibovespa terminou o dia aos 94.635,57 pontos, em queda de 3,74%, na mínima do dia. Os negócios somaram R$ 17 bilhões. Os motivos da suspensão correm em segredo de Justiça. A Justiça havia determinado que a Vale parasse de lançar rejeitos ou praticasse qualquer atividade potencialmente capaz de aumentar os riscos em oito barragens em Minas Gerais, entre elas a de Laranjeiras, parte da mina de Brucutu, a maior da mineradora em Minas Gerais.

Segundo operadores, a reação imediata do mercado com a notícia sobre a suspensão de Laranjeiras acionou o “stop loss” em diversas mesas de negociação. Ao final dos negócios, Vale ON fechou em queda de 4,88%, na mínima do dia.

A ação contaminou os papéis do setor siderúrgico. CSN ON caiu 5,77% e Gerdau Metalúrgica cedeu 4,94%. Desde cedo, porém, o sinal do Ibovespa foi negativo, com as dúvidas quanto ao teor e ao prazo de tramitação da reforma da Previdência pesando no índice.

Os juros futuros de longo prazo encerraram a sessão regular de ontem em alta firme, enquanto as taxas dos vencimentos de médio e curto prazos terminaram perto dos ajustes do dia anterior.

No fechamento da etapa regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,365%, de 6,370% do ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2021 passou de 7,001% para 6,990%. O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa de 8,17% de 8,092% e a do DI para janeiro de 2025 foi de 8,612% para 8,71%. /Estadão Conteúdo