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O dólar tinha leves variações nesta quarta-feira, com o mercado voltando as atenções para a apresentação da proposta de reforma da Previdência ao Congresso em momento conturbado para o Planalto.

Às 9:51, o dólar recuava 0,09 por cento, a 3,7122 reais na venda, após fechar na véspera em queda de 0,45 por cento, a 3,7156 reais.

O dólar futuro tinha queda de 0,35 por cento.

Após abrir o pregão em leve alta, a divisa devolveu os ganhos e passou a operar perto da estabilidade após a chegada do presidente Jair Bolsonaro ao Congresso, onde entregará o a proposta de reforma da Previdência ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Investidores olham com bons olhos para o gesto de Bolsonaro de levar pessoalmente a proposta, mas a expectativa maior é pelo teor do texto.

"O gesto foi positivo, que bom, mas agora queremos saber o que tem no texto", afirmou o sócio-fundador do grupo Laatus, Jefferson Laatus.

"Até para balizar o quanto esse texto será desidratado e quanto o Congresso aceitará ele. Nós avaliamos que, quanto mais densa for a proposta, mais tempo ficará nas Comissões, e mais tempo levará até chegar à votação no Congresso", avaliou Laatus.

Técnicos do Ministério da Economia detalharão a proposta a jornalistas em uma coletiva de imprensa que não contará com o ministro Paulo Guedes, uma vez que ele optou por participar de fórum de governadores em Brasília.

O envio da proposta de reforma da Previdência ao Congresso ocorre em um momento conturbado para o Planalto, que ainda vê respingos da crise política envolvendo o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

Na terça-feira, o governo sofreu sua primeira derrota na Câmara após parlamentares barrarem por uma larga margem o decreto presidencial que ampliava o escopo de pessoas que poderiam determinar sigilo sobre dados e informações do governo.

"Embora não seja uma matéria de alta relevância, mostra um possível recado da Casa ao governo, que ainda segue em busca de alguma tranquilidade dentro da base aliada para que consiga tocar sua agenda", afirmou a corretora H. Commcor em nota.

Também na véspera, áudios divulgados pela revista Veja mostraram que Bebianno trocou mensagens com Bolsonaro, contrariando as declarações do presidente e de seu filho.

No exterior, o mercado monitora a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve às 16h e acompanha as negociações comerciais entre EUA e China.

O Banco Central realiza nesta terça-feira leilão de até 10,33 mil swaps cambiais tradicionais, correspondentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de março, no total de 9,811 bilhões de dólares.