Publicado em

SÃO PAULO - Após altas recentes, o dólar teve leve queda nesta terça-feira, com a moeda brasileira se beneficiando do ambiente externo mais amigável a ativos de risco, mas ainda cauteloso com a situação comercial entre EUA e China.

O dólar à vista teve variação negativa de 0,09%, para 3,9758 reais na venda. O dólar futuro recuava 0,70%.

A divisa norte-americana oscilou no interbancário entre alta de 0,42% (a 3,996 reais) e queda de 0,33% (3,9661 reais).

Na véspera, o dólar havia fechado em alta de 0,88%, a 3,9792 reais, máxima em cerca de três semanas.

O real operou em sintonia com o sentimento por ativos de risco no exterior, que permitiu ganhos de outras moedas de emergentes, como rublo russo, rand sul-africano, lira turca e peso colombiano.

O alívio nos mercados se deu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizar a gravidade da guerra comercial com a China, classificando-a como um pequeno atrito. Trump disse ainda que as negociações comerciais não entraram em colapso.

O noticiário local sobre a reforma da Previdência não trouxe grandes novidades. O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a exortar o Congresso a aprovar a proposta que muda as regras das aposentadorias.

Guedes disse que o governo já trabalha com crescimento menor para a economia neste ano, de 1,5%.

A fraqueza da atividade tem alimentado especulações de que o Banco Central possa voltar a reduzir a Selic, movimento que comprimiria mais os retornos oferecidos pelo país a investidores estrangeiros --o que desestimula ingresso de dólares.

Analistas consultados pelo BofA pioraram o cenário para a moeda brasileira, passando a ver dólar mais alto. Nove por cento dos entrevistados em sondagem projetam dólar acima de 4 reais no fim do ano, contra 3% um mês atrás. A maioria dos entrevistados vê o dólar entre 3,81 e 4 reais. No mês passado, o maior percentual entre os participantes vislumbrava a cotação entre 3,60 e 3,80 reais no final de 2019.

Na véspera, o Morgan Stanley elevou a projeção do dólar para os próximos trimestres, prevendo taxa de 4,10 reais ao fim de junho, prevendo mais ruídos da agenda de reformas.