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O dólar engatou a terceira queda seguida e terminou a sessão de ontem em R$ 3,8568 (-0,80%), o menor nível desde abril. A retração reflete uma combinação de cenário internacional favorável e a perspectiva de avanço mais rápido da reforma da Previdência.

Com o clima mais favorável, os grandes investidores vêm desmontando posições defensivas no câmbio. Os estrangeiros reduziram as apostas compradas em dólar no mercado futuro (que apostam na valorização da moeda americana) em US$ 2,2 bilhões apenas nos últimos cinco dias até segunda-feira.

Para o chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, o dólar voltou para patamares mais condizentes com os fundamentos da economia, após ter chegado a R$ 4,10 em meados de maio por conta dos ruídos políticos. Os dois principais fatores por trás desse movimento são a desvalorização da moeda americana no mercado financeiro mundial e o avanço do diálogo do governo com o Congresso, o que começou a gerar no mercado uma maior certeza de aprovação da Previdência.

Apesar do maior otimismo doméstico, Velloni destaca que o estrangeiro ainda segue cauteloso em aportar recursos no Brasil. O executivo acredita que o movimento maior de volta se dará em um segundo momento, com a aprovação da Previdência. Em um cenário pré-reforma, e sem maiores estresses políticos e internacionais, ele vê o dólar em patamares entre R$ 3,75 e R$ 3,85.

Os estrategistas do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH) destacam que o aumento da perspectiva de que Fed vai cortar juros também contribui para a queda do dólar, movimento que continuará. Ontem, o dólar caiu tanto ante emergentes como México, Colômbia, Turquia e Argentina, como ante algumas divisas fortes, como o euro.

Mercado acionário

O bom desempenho das bolsas de Nova York e o cenário doméstico tranquilo levaram o Índice Bovespa a uma leve alta no pregão de ontem. O indicador alternou altas e baixas ao longo do período e terminou o pregão aos 97.380,28 pontos, com ganho de 0,37%. Os negócios somaram R$ 13,9 bilhões.

O cenário internacional contribuiu com altas significativas, principalmente nos minutos finais de negociação, com ganhos superiores a 2%. A sinalização de uma política expansionista do Fed abriu caminho para a tomada de risco e para a recuperação de preços de commodities. Assim, os papéis da Petrobras (+0,81 na PN) e Vale (+0,57%) apresentaram ganhos moderados.

O noticiário corporativo também exerceu influência sobre os negócios. As ações da Braskem caíram 17,11%, de longe a maior queda entre os papéis do índice, como reflexo do encerramento das negociações entre a petroquímica brasileira e a holandesa LyondellBassell. Na ponta oposta, Sabesp ON subiu 10,96%, após a Comissão de Infraestrutura no Senado aprovar o projeto de lei que recupera conteúdo da MP do Saneamento, que perdeu validade na segunda.

Os juros futuros de longo prazo completaram a sétima sessão seguida de queda ontem. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,230%, de 6,264% no ajust anterior e a do DI para janeiro de 2021 caiu para 6,380%, de 6,440%. A taxa para janeiro de 2023 passou de 7,411% para 7,30%. A taxa do DI para janeiro de 2025 recuou para 7,84%, de 7,991%. /Estadão Conteúdo