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O dólar voltou a subir na sessão de ontem e fechou em alta de 0,93%, aos R$ 3,8489. Após cair nos quatro último pregões, investidores realizaram lucros e reforçaram as compras da moeda, acompanhando a valorização da divisa no mercado internacional.

O movimento veio em meio a novos indícios de desaceleração da economia mundial, demora de um acordo entre Pequim e Washington e das indefinições sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. Preocupações com a reforma da Previdência também pesaram e, por isso, o real foi a moeda que mais perdeu valor ante o dólar ontem em uma lista das 24 principais divisas internacionais.

A moeda norte-americana operou em alta desde a abertura e chegou na máxima do dia, em R$ 3,8548, em meio a votações no Parlamento britânico sobre medidas para o Brexit, algumas delas rejeitadas, causando estresse nos mercados de moedas. No final, o Parlamento aprovou o projeto para pedir adiamento da saída ao menos até 30 de junho. Antes disso, dados da produção industrial da China, que mostraram expansão abaixo do esperado no primeiro bimestre, no menor ritmo em 17 anos, já haviam provocado aumento da aversão ao risco e fortalecimento do dólar.

No mercado doméstico de câmbio, não repercutiu bem nas mesas a decisão do governo de entregar ao Ministério da Economia um projeto de mudança da Previdência dos militares que prevê aumento dos salários da categoria.

Mercado acionário

Depois de ter renovado seu recorde histórico, aproximando-se do emblemático patamar dos 100 mil pontos, o Índice Bovespa cedeu novamente aos ajustes e terminou o pregão de ontem em baixa de 0,30%, aos 98.604,67 pontos.

Os negócios somaram R$ 12,2 bilhões. Embora a confiança no avanço da reforma da Previdência não tenha se dissipado, faltou, segundo operadores, notícia nova que impulsionasse o indicador a superar a resistência psicológica à marca dos seis dígitos.

“Depois da euforia da quarta-feira, o mercado operou ancorado nos 100 mil pontos. É uma marca que não quer dizer nada, mas muitos 'players' têm estado ancorados nela”, disse Rafael Winalda, analista da Toro Investimentos. Com a resistência psicológica e a falta de novidades significativas sobre a Previdência, diz, não houve fôlego para o índice continuar avançando. Ainda assim, o Ibovespa acumula ganho de 3,16% em março.

Os dados de produção industrial da China derrubaram os preços de commodities, o que penalizou as ações de Vale e Petrobras. Uma recuperação parcial dos preços do petróleo favoreceu a petroleira, que fechou com ganhos de 1,13% (ON) e de 0,32% (PN). Vale ON fechou perto da estabilidade, com alta de 0,02%. O bloco financeiro, porém, foi determinante para o sinal negativo do Ibovespa. Itaú Unibanco PN caiu 1,58% e Banco do Brasil ON cedeu 0,76%.

O mercado de juros deu sequência, ontem, ao movimento de correção de parte do alívio de prêmios visto nos últimos dias. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a etapa regular em 6,390%, de 6,355% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 subiu de 6,911% para 6,97%. A taxa para janeiro de 2023 terminou em 8,08%, de 7,982% e o DI para janeiro de 2025 avançou de 8,501% para 8,61%. /Estadão Conteúdo