Publicado em

O real foi ontem a moeda com pior desempenho ante o dólar, considerando uma cesta de 34 divisas, após dois dias seguidos de queda. O dólar à vista terminou em alta de 1,19%, cotado em R$ 4,0780, o maior valor desde 20 de maio, quando terminou em R$ 4,10.

No mercado financeiro internacional, o dia de ontem foi marcado por novos temores de piora da economia mundial e prudência antes do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, que será feito na manhã desta sexta-feira no evento de Jackson Hole.

O dólar operou praticamente todo a quinta-feira em alta e só chegou a cair pontualmente na hora em que o Banco Central ofertou US$ 550 milhões no mercado à vista, de dinheiro das reservas internacionais em conjunto com operação de swap reverso (compra de dólar no mercado futuro).

Mas ao contrário de quarta, quando fez o primeiro leilão desta nova estratégia, os recursos foram totalmente tomados pelo mercado. Em seguida, logo após a operação, o dólar voltou a subir acompanhando o mercado externo.

"O Brasil tem muitas reservas e o Banco Central tem bastante munição para atuar", avalia o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, ressaltando que as altas sucessivas do dólar aqui justificam essa estratégia do BC. Só este mês, a moeda americana acumula alta de quase 7%. O dólar caminha para fechar a sexta semana consecutiva de valorização no Brasil.

Nesta sexta-feira o BC fará a terceira oferta de US$ 550 milhões, mas o foco principal do mercado vai ser o discurso de Powell, a partir das 11h (de Brasília). "Todos os olhares estão voltados para o evento", observa o analista do banco espanhol BBVA, Vitor Sun Zou.

Os estrategistas do JPMorgan esperam que Powell ressalte em seu discurso os riscos de piora da atividade econômica e sinalize que a "porta está aberta" para cortes adicionais de juros nos Estados Unidos. Eles, porém, não esperam que o dirigente forneça sinalizações "explícitas" sobre o que o Fed fará na reunião de política monetária de setembro, mesmo com o presidente Donald Trump pedindo corte maior de juros. A expectativa pelo discurso de Powell aumentou após alguns dirigentes regionais do Fed, como o da Filadélfia, Patrick Harker, afirmarem esta semana que não veem necessidade de corte de juros. Para operadores, uma sinalização mais clara de corte de juros nos EUA pode levar a moeda a cair abaixo de R$ 4.

Reversão de sinal

A euforia que levou o Índice Bovespa a subir 2% na quarta-feira se dissipou nesta quinta e o indicador devolveu mais da metade do que havia conquistado e por pouco não perdeu novamente o patamar dos 100 mil pontos. A queda foi atribuída a uma correção de exageros após leitura menos otimista do plano de privatizações do governo. Ao final dos negócios, o indicador marcou 100.011,28 pontos, na mínima, em baixa de 1,18%.

O secretário especial de Desestatização, Desenvolvimento e Mercados, Salim Mattar, disse que a Eletrobras, a estatal do setor elétrico deve ser privatizada mais cedo que as demais porque precisa de dinheiro. Com isso, Eletrobras ON e PNB subiram 4,07% e 4,02%. Já papéis como Banco do Brasil e Petrobras oscilaram em terreno negativo, não mais sob o efeito das especulações que inflaram os papéis na última quarta-feira. /Estadão Conteúdo